Rojões na serra de Spajo

Rojões na serra de Soajo

Vejam estes golosos a comer rojões assados na serra mais linda do mundo - a serra de Soajo Assar rojões na serra de Soajo, nos braseiros dos...

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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Caminhada, Soajo-Areeiro

Em 10 de Agosto de 2011, fiquei a conhecer mais Soajo!

Saí da Casa do Povo, onde bebi o café, rumo a Adrão. A pé, claro!

Desta vez, de facto, conquistei mais Soajo. Conheci o Souto, a Casa do Souto, os campos do Souto, os caniços do Souto, as águas do Souto, os caminhos do Souto, as flores do Souto, ...

Pois foi! Conquistei mais Soajo. Voltei a ver o meu amigo João, a minha prima Helena que, em Soajo, em tantos anos, só tinha visto uma vez! Recuperei num dia, anos perdidos, anos que ficaram encostados numa esquina do tempo. Mas nunca é tarde! Nunca é tarde para rever o meu amigo Carrasco na fisionomia da sua 2ª filhota. Consistem ali, as pintas do pai e da mãe. Tive também o prazer de vir a conhecer a sua filhota, que, há tanto tempo que anda por este mundo e nunca a tinha visto, mais a sua netinha.

Apetecia-me falar do Paquistão, neste momento, mas vou continuar com Soajo!



Na Corga das Ínsuas, alguém colocou esta telha para apanhar água na nascente. O melro é um cliente

Também conheci mais Soajo porque não me limitei a seguir o velho caminho, rumo a Adrão. Mais pela direita ou mais pela esquerda, haveria sempre uma forma de chegar rápido, ao Areeiro. Esticar a perna e avançar sempre! Depois, seguir o caminho de Bordença, rever a sua ponte e rumar ao Senhor da Paz e, dali, ao Cemitério. Seria a "peace of cake". O meu amigo "Finitro" tinha-me preparado para isso!

Mas eu sou anti-trilho! Coloquei os olhos no ar e fui por onde as andorinhas me levaram. Só que, depois, fui desencaminhado pelos corvos e pela poupa. Todos me chamaram e eu fui! Eles disseram-me que o mundo deles também era o meu! Devem ter aprendido com o galego que um dia, em Padrão, me disse que os minhotos eram uns corvos. Por isso, deixei-me levar sob os auspícios de Apolo, na peugada dos corvos. A poupa dirigiu-se em minha direcção, pousou sobre um pinheiro e tentou desviar-me para o caminho certo. Não conseguiu!



O caminho, este, tinha por objectivo levar-me para a Encosta das Vacas

De repente, decidi esquecer os corvos. Olhei para o lado e, ali estava a estrada para Adrão e, vinda de cima, de Entre-os-Outeiros, descia encosta abaixo a velha estrada florestal. Desviei-me para a corga das Ínsuas, saltei valados e desci entre paredes até à corga onde um melro, deu uma grande gargalhada e me perguntou: "e agora, Ventor"?

Achei que estava a gozar comigo mas não! Olhei a corga sem rasto de ninguém e fiz os meus olhos penetrarem na sombra da corga que ali corria sob árvores. Em plena sombra, mais em baixo, uma telha apanhava água que nascia ali para alguém beber mas, verifiquei que o único utente estava a ser o melro.

Virei-me para trás e as duas paredes tão íngremes, mais me pareciam o Fojo do Lobo e o lobo no buraco era eu. Não me meti à corga para me chegar à telha e fazer companhia ao melro. Para a frente não era bom e para trás era mau. De qualquer modo teria de subir bem e, então, resolvi seguir em frente. À 3ª tentativa passei a corga para o outro lado e iniciei a subida oposta à descida que tinha feito. Dei umas passadas rasgadas para não perder o balanço e uma silva entre as ervas tentou deter-me. Rasgou-me a pele, no peito do pé, junto à pala do sapato. Sapatos de toilette sem meias! Meto-me em cada uma!

Mas lá fui entre duas estreitas paredes até um caminho que cavalguei como pude até às Ínsuas, onde partia o trilho para Adrão. Passei o pontilhão em direcção a Soajo, onde um indivíduo regava umas plantas com uma mangueira junto à casa. Perguntei a esse homem se sabia onde morava o Joaquim Neto. Ele disse-me que ele tinha por ali uma casa mas morava em Soajo. Quase lhe pedi uma mangueirada o que teria feito se não fossem as máquinas, mas perguntei-lhe se os trilhos por ali estariam razoáveis para seguir rumo ao Areeiro.

"Para o Areiro volte para trás, porque se esse não presta, com os outros não se safa"!



Estas ovelhas, foram minhas companheiras de caminhada, enquanto eu ainda tinha objectivos

E não safei mesmo! Segui para o monte, creio ser a Encosta das Vacas, ou Costa das Vacas, para tentar ver a Açoreira de frente. Vi-me e desejei-me, primeiro para entrar para onde queria e o pior foi sair depois. Tive que trepar rente ao solo por entre os troncos das giestas, onde fiz ginásticas incríveis entre giestas queimadas e giestas verdes que me iam penteando como podiam.

Por fim disse para os meus botões que ia desistir. Foi o que fiz. Tracei um rumo em direcção do Areeiro e iniciei grande subida. Sob um calor escaldante, sem água, sem chapéu, sem cajado, sem meias nos sapatos e com uma sede terrível, tocou o telélé. «Luis, onde estás»?

Não me recordo se disse que estava no Inferno mas não terei dito para não a preocupar. O meu coração parecia uma MG a fazer fogo! Cada sombra que via queria encostar! "Não, não há encosto. Temos de seguir, sem perder pedalada, senão ficamos aqui»!


Por entre as giestas, queimadas ou verdes, não conseguia tirar fotos para as partes fundas da Assureira. Só fazia "fogo" alto (clicava), com uma mastronça de uma Canon nova, com a qual não sabia trabalhar. Mas, aprenderei!

A caminhada respondia às incertezas do gajo! Mais devagar, mais acelerado, mais devagar, mais ... mas sempre a subir! Por fim, encontrei os trilhos que me levariam ao Areeiro e em terrenos a ficarem quase planos. Avistei as árvores em volta da velha casa florestal do Areeiro, algumas, se nunca arderam, ainda eu terei plantado. Durante a chamada, disse ao meu Malmequer que, quem chegasse primeiro, esperava no Areeiro. Eles estavam nos Arcos e não sei que tempo demorariam, porque não sabia a que horas sairiam de lá.

Penetrei no arvoredo do Areeiro, o meu Purgatório! A beleza de árvores lindas e de sombras frondosas mas, e a água? Não tinha água. Tinha saído do Inferno e já em passada normal, peguei no télélé e, ... "esse número não se encontra atribuído"! Maldita TMN, ... faz-me mais falta um telemóvel aqui um dia que o resto do ano todo, em Lisboa. Outra chamada, a mesma resposta. Utilizei outro número. Entre três telemóveis podia ser que apanhasse algum. Duas chamadas e número atribuído mas era espanhol. "Buenos dias"! Duas respostas, duas desculpas. Vou tentar o terceiro número, ... «Ah! Desisto! Ainda me aparecia um espanhol e já estava sem paciência».



Lá está o Barroco! Que saudades tenho de galgar aqueles montes. Cá para baixo sombra e sol de frente - desisti. Queria era a casa do Areeiro

Desisti de dizer uma coisa simples. Vou continuar por Bordença, esperem-me no Senhor da Paz! Mas, como não liguei e, para não ficarem à minha espera no Areeiro, desisti da caminhada. Tudo por falta de telemóvel. Fiquei ali no Purgatório, esperando. Por fim lá vejo um argolinhas branco. Devem ser eles. Tenho de ir beber água a qualquer lado, pensei. Mas não foi preciso. Chegava, pelas mãos do meu Malmequer, desde os Arcos, uma garrafinha de cerveja ainda gelada. Essa garrafinha amainou as hostes e lembrei-me do meu amigo Odin e da sua fábrica de cervejas no Vallala. Acabou o Purgatório e entrei no céu! Rumo ao Miradouro, em Castro Laboreiro, onde o verdinho das Muralhas fez o resto do trabalho.



Mas passei quatro cortelhos trogloditas que me levaram a entrar por velhas realidades

Mas não foi uma caminhada inútil! Ajudou-me a descobrir, de facto, mais Soajo. A caminho da Costa das Vacas, encontrei quatro cortelhos trogloditas. Lá dentro era só escuridão mas, num deles, no segundo, estava uma galanta, uma bela rainha das montanhas, num trajecto diferente do meu. Eu caminhando, ela descansando. Mas gostei de ver aquela galanta! «Oh, Galanta! Estás aí na fresquinha»? Ao falar com ela, ela parecia que me conhecia. Deu duas passadas para sair do cortelho e eu disse-lhe para ficar à fresquinha. E não é que deu os dois passos para trás e ficou sossegada a remoer!

Ali lembrei-me dos trogloditas de Marrupa. Uma palhota subterrânea debaixo da terra de milho. Ouvíamos vozes e só víamos milho. Cansados, cheios de sede, tínhamos de subir aquele campo de milho para vermos para que lado ficava o Aeródromo. Mandei os meus parceiros ficarem quietos de armas em riste e eu, mais à frente, encaminhei-me rumo às vozes que ouvia mas, só via o milho. A G-3 bem apertada, pronta a cuspir fogo. O 2º avançou para me proteger melhor e para trás ficaram dois prontos a abrir fogo. Debaixo do chão as vozes continuavam. Pensei num abrigo de turras! Estaríamos a 10 kms da Base e outros 10 do Exército. Das profundezas do milho sai-me uma velhota com uma criança nos braços assustada quando vê a metralhadora virada para ela. «Não tenha medo que não lhe fazemos mal. Estão homens aí»? "Não, estão a trabalhar, só estamos nós e a criança"! Penso que eram duas ou três e tudo terminou em bem. Tal como eu e a galanta!



Aqui, esta galanta, quis colaborar comigo! «Eu saio e vou à frente abir caminho, Ventor». São espertas as rainhas das montanhas!

Não sei se alguém conhece a história do "Quatro Olhos". Quando eu era miúdo, constou-se, em Adrão, que um homem a quem chamavam, Quatro Olhos, tinha morto outro. Não sei se era de Soajo ou se eram de Soajo, ou se esse Quatro Olhos se foi esconder a Soajo. O fulcro da História era que a gente de Adrão tinha medo de fazer as viagens sós, entre Adrão e Soajo e vice-versa, que o Quatro olhos andaria por ali, escondido nuns cortelhos. Se fossem aqueles cortelhos seriam, de facto, um bom esconderijo! Hoje, aqui, sentado no meu computador, apeteceu-me tentar retratar esta caminhada de sonhos, não concluída. Haverá outra, sei lá quando, mas a rigor!



Quando, farto de andar com a cabeça no ar à procura de nada, virei à Branda da Murça e senti uma frescura amena ao entrar nestas árvores. O calor e a sede, minavam-me por dentro


Aqui, à sombra fiz várias tentativas para prosseguir viagem mas, os telemóveis, nas nossas Montanhas Lindas, são uma decepção. Fiquei neste Purgatório um tempinho, numa frescura agradável e o céu só chegou com uma cervejinha frsca, vinda dos Arcos

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

À Conquista de Soajo

À conquista de Soajo, ao redor de Adrão mas, longe da Pedrada!


A Casa do Souto, em Soajo

Longe da Pedrada, longe das minhas fontes, nas alturas. Da Fonte da Naia, da Fonte do Muranho, da Fonte da Corga da Vagem, das minhas alcatifas preferidas!

Sempre achei que as minhas alcatifas preferidas, são aquelas que são constituídas pelas carrascas floridas, pintadas de rosa, pelas carquejas, pelos fetos verdes, pelas ervas que dão ânimo às rainhas das montanhas, pelas urzes ...

Tão perto e tão longe de tudo!



A Casa do Souto, em Soajo

Mas não foi chita!

Estive nas Fontes, na minha Parnaso!

Ali, mais uma vez, só eu, o meu Quico e as Ninfas das Fontes. Ali, como em todos os pontos das minhas Montanhas Lindas, sinto-me sempre acompanhado! Apenas, uma égua garrana e o seu filhote, mais um ou uma companheira das suas caminhadas e duas vacas que rumavam à Cascalheira, comendo e, mais um ou outro pássaro, os meus companheiros chascos, eram os únicos seres vivos que fizeram companhia, naquela jornada, ao Ventor.



Uma bota galega para transportar bebidas, a botelha galega

Vi Adrão da Barreira para baixo, vi Adrão da estrada para a Peneda e depois para Paradela e, no último dia, vi Adrão enquanto descíamos a Quelha da Costa até ao sítio da volta. Olhei os caniços, a velha latada e, lá mais longe, observei a Coroa dos meus amigos Caturnos, o Marco d'Além, o Gondomil, observei a zona da Corga Grande, o Penedo do Osso, o Picoto, a Férrea, cumprimentamos a Teresa do Valente e, sem mais, desisti de atravessar o Cabo do Eido, de olhar a janela dos meus sonhos, atravessar o Eirado, em frente da nossa Capela, dirigir-me para Outeiros ou para a ponte, seguir pelo Carril até ao Portinho d'Além e, observar as libelinhas sobre as águas do rio a dançarem para mim.



Uma cabaça de Soajo, para transportar bebidas. Bem mais frágil que "la botelha galega"

Já passeei por Adrão, de noite, sonhando, numa noite de chumbo com o meu cavalo Antar, sem ver ninguém. Só no fim, num retorno apressado e barulhento desde o Carril, as pessoas, talvez por receio, fizeram ranger as portas nos gonzos e acabei por ver nitidamente o meu pai, a minha mãe e algumas pessoas a caminharem para mim mas que não deu para as identificar! Desta vez, bem acordado, com o coração a pulsar, deixei na Teresa do Valente, a mãe dos filhos do meu primo Diogo, o beijo que partilhará, mesmo que não o saiba, com toda a gente de Adrão. Foi uma mensagem, ... de um sonho. Sim, porque também concretizei um sonho! O sonho de ver uma das suas filhotas, a Rosa, que já não via há muitos anos, devido a andarmos perdidos pelos cantos dos nossos mundos.


Canastros de Soajo ou espigueiros, vistos da casa do Souto

Mas, o fenómeno persiste! Caminhar em redor das minhas Montanhas Lindas e sonhar! Sonhar com realidades passadas, sonhar com possibilidades de realidades futuras, sonhar sempre com a minha gente, com os meus sítios, ...

Mas olhei a Senhora da Peneda, em Soajo, na festa de Nossa Senhora das Dores, vi o Seu casarão, na Peneda, comi o bacalhau com broa, no Miradouro, em Castro Laboreiro.



A mó invertida de um moinho, para servir de mesa, para os grelhados

Continuo a ver Paradela de passagem pela estrada ou de Lindoso, passei pela Várzea, pela Ponte da Barca, pela Senhora da Paz, pelos Arcos, ... ao lado dos Malinos, com o ribombar dos seus bombos, os acordes das suas concertinas, tudo isto porque nos Arcos também havia festa e, tudo terminou depressa!

No regresso, almocei cabrito, em Ponte de Lima, lanchei pão-de-ló, em Arouca, subimos à serra da Freita que atravessamos fazendo passear os nossos olhos pelas suas paisagens deslumbrantes, a perder de vista e, pelos seus céus, sobre as nossas cabeças, passeou uma águia que, procurando lanche, apressadamente, cumprimentou o Ventor. Prosseguimos até ao local da frecha da Mizarela, onde as águas que rolavam, em precipício, lançando-se das alturas, sobre o rio Caima, gritavam, saudando o Ventor.



Uma poupa, companheira de uma caminhada disparatada do Ventor, que pretendia ir a pé para Adrão. A poupa bem avisou o Ventor! Com esta canícula, sem água, sem chapéu, sem caminhos, sem cajado, seria um disparate, porque o Ventor tentou fazer a encosta, frente à Açoreira! A poupa era penteada pelos pinheiros e o Ventor pelas giestas

Mas, desta vez, a beleza de Soajo, permaneceu a meu lado, pelo cair da noite e pela chegada da alvorada, por terras do Souto, com os cânticos dos pássaros. Dali, rolando rumo ao Mesio, a Adrão, os girassóis sorrindo ao sol da manhã, se perfilavam, saudando Apolo e Ventor que, mais uma vez, se encontravam juntos em redor das suas Montanhas Lindas.

Nessa caminhada de seis dias, por Soajo, sob as suas latadas, recordo-me que não "roubei", aos soajeiros, um único bago de uvas para matar saudades. Para mim, foi como se, quando entrei na noite de sábado, na Igreja de Soajo, bem como no domingo de manhã, não tivesse visto perfilados, de ambos os lados, todos os santos que, conjuntamente, com a Senhora das Dores, iriam participar na sua festa.


Mas, depois de um  bacalhau com broa, em Castro Laboreiro, matei a sede, na nascente das Fontes

Eu sei, eu sei! Não precisava de ser tão puritano. Não seria pecado tirar um bago de uvas para provar as uvas das velhas latadas de Soajo. Mas caminhei por Soajo, na sua conquista. Talvez melhor, reconquista!

domingo, 3 de abril de 2011

O Capitão

Estávamos no Ano de 1973!

Um dia, no Ano de 1973, entrei eu, bem cedo, no velho Café Monumental, onde, todos os dias, salvo raras excepções, tomava o meu pequeno almoço, antes de ir para o trabalho.

Por vezes, encontrava por ali um amigo ou outro e, também, por ali, fazia mais um ou outro amigo novo.

Numa manhã de Setembro, dois ou três dias após a morte de Salvador Allende, na revolução de Pinochet, entrei eu no Café Monumental e, duma mesa, lá no fundo, vi um braço no ar. Era um velho amigo que tinha acabado o Curso de Direito, em Lisboa e era dos lados de Monção. O outro eu nunca tinha visto.

"Hoje vens cedo, senta-te aqui com a gente. Apresento-te o Capitão X"! X porque não me recordo do nome. "Estivemos os dois, em Nabuangongo! É de Aveiro e está chateado com esta "Primavera" sem fim! Mas estamos quase no Outono! Disse eu, na brincadeira.

O tal Capitão, veio a saber que eu era do Norte, Arcos de Valdevez, de Soajo, até chegar a Adrão, mais precisamente. Eu, sempre que dizia que era de Soajo, ficavam a olhar-me ... e, onde fica isso? Aquele capitão de Aveiro, já tinha ido à Peneda, já tinha estado em Soajo e, para alcançar a Peneda, tinha passado por Adrão. O homem era um fala barato, parecido comigo!

Conversa daqui, conversa dali, virou-se para mim e disse: "sabe o que me apetecia"? Outra torrada - disse eu. "Nada disso! Apetecia-me pegar na minha Companhia, entrar na Assembleia Nacional e varrer aqueles gajos todos"! Então que lhe fizeram para ficar tão furioso? "Vão acabar com o vinho americano a pedido! Andam para aí uns sacanas de outros vinhos a dar cabo do vinho americano. Mas onde já se viu isto"? E mais umas coisas. Não me recordo de tudo mas a conversa foi deste teor. De repente, começou a falar do novo Parque Nacional da Peneda Gerês.

Virou-se para mim e disse: "e você não se ria! Porque vão ficar sem a serra de Soajo"!



O Alto da Pedrada, serra de Soajo, o Miradouro natural mais belo que eu conheço

Lá que você esteja chateado eu acredito mas, quanto a entrar na Assembleia e varrer tudo, não se esqueça que há lá muita escumalha, mas também lá há gente boa que não vê o país de forma enviesada (estava a lembrar-lhe a chamada Ala Liberal de um cariz mais democrático e que para muitos era, a Ala da Esperança.

É fácil varrer a Assembleia, mas a serra de Soajo ninguém a vai tirar de lá e, por isso, nunca ficarei sem ela!

Há já algum tempo que penso nestas conversas e me levam a recordar alguns dos amigos esporádicos que nunca mais vi. No ano seguinte deu-se o 25 de Abril e para mim, cumpriu-se o meu prognóstico (feito em 1970, em Vila Cabral) com cerca de meio ano de atraso.

Hoje, quando leio algo sobre a serra de Soajo, vem lá, sempre, a serra da Peneda. Mas a disputa pela Pedrada faz parte de uma guerra de cabeças ocas. De nabos, para não dizer de energúmenos.

«A Pedrada, é o ponto mais alto da serra da Peneda» ... «A Pedrada, é o ponto mais alto da serra de Soajo». Isto é um rapa-saca do nosso tecto por parte dos nabos do Parque e de quem com eles alinha.



A Peneda fica para lá deste Cruzeiro. A Pedrada, o Alto da Pedrada, não tem nada a ver com a Peneda, nem tem nada a ver com as respostas estúpidas às perguntas feitas nos concursos da estupidez televisiva. O Alto da Pedrada é o ponto mais elevado da serra de Soajo, não é o ponto mais elevado da serra da Peneda 

Os nabos que fizeram o Parque Nacional da Peneda-Gerês, como todos sabemos, tinham de lhe dar um nome e, por mim, o nome poderia ser outro, correcto ou não, pois ele teria de chamar-se qualquer coisa. Mas o que esses nabos todos deveriam saber, desde os do Parque a outros que pululam nos meios geográficos, orográficos e, ... não têm que trocar os nomes às serras. Podem trocar nomes a outras coisas, ... se quiserem, à própria mãe. Isso é um problema deles, não é um problema da serra de Soajo nem de outra serra da qualquer. A serra de Soajo, é a serra de Soajo e os montes da Peneda e de Castro Laboreiro, são outra coisa. Vamos lá a ver meus "amigos" se começam a chamar os touros pelos nomes. Touro é touro, mas tem nome! E eu até podia dar os nomes a muitos que escrevem sobre a serra de Soajo, uma das mai belas serras de Portugal. (Não digo a mais bela porque ... ). Claro!

O ponto mais alto da serra de Soajo é o Alto da Pedrada e Arcos de Valdevez, não é a Peneda (como na telenovela estúpida que deu na Quatro! Aparecem sempre uns gajinhos com vontade de trocar os nomes às coisas. De embaralhar, de querer ser revolucionário. Para muita dessa escória, ser revolucionário é subverter as coisas. Subverter os nomes às ruas, às praças, às pontes e, como isso já não chega, às serras ...



Na serra de Soajo, tal como nos montes da Peneda, nascem flores e umas e outras, tal como eu, não gostarão de ver os seus berços adulterados por burros a quem chamam doutores e engenheiros

Eu sei que ser revolucionário é subverter mas, atenção! É subverter as linhas de orientações quando elas estão traçadas contra os interesses dos povos, e tanto quanto me parece, nem a serra da Penedae Soajo, nem os montes da Peneda gostam que lhe troquem o nome. Por isso, deixo aqui, para todos aqueles que dão ao rabinho pelas minhas Montanhas Lindas, servindo-se dos erários públicos, para não adulterarem as coisas. Se andaram a estudar ou a fazer que estudaram para adulterar as coisas, espero que não se sirvam do vosso "emprego" para sacanear aqueles que vos pagam. No vosso entender, devem pensar que estão a prestar um belo serviço, mas eu e muitos outros achamos que não. Levantem o rabinho das secretárias e vão para o terreno trabalhar. Deixem de inventar mapas! Façam pela vida, não estraguem!

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Soajo, o Desastre dos Incêndios

Os incêndios, são uma tormenta para as pessoas e seus bens;


Os incêndios, são uma tormenta para os animais domésticos, para os animais selvagens, para a flora, para ...

(Deixo-vos algumas fotos, dos fogos de Soajo, aqui, no Shutterfly)

Todos sabemos, estamos fartos de o ouvir dizer, que a maioria dos incêndios, pelo menos, muitos incêndios, são fogos postos ou então, as autoridades suspeitam disso. Também sabemos, porque fartamos-nos de o ouvir, nas TV's e companhias, que as autoridades vão apanhando suspeitos desses fogos postos.



As fraldas das minhas Montanhas Lindas, são devoradas por chamas assassinas, há 8 dias. São 8 dias de tristeza, de sofrimento de pessoas, de animais, de tudo que resiste em volta dessa fúria demoníaca.

Como já todos sabemos isso, mais ou menos, até temos um Ministro especialista a fazer as comparações de incêndios, referentes aos últimos anos e para ser franco, por essas comparações tão assíduas e por tantas outras coisas desse e de outros ministros que me vão exaucrinando os ouvidos é que eu tanto lamento pelo futuro deste país. O tal país que todos ouvimos falar que foi, porque eu não vejo que o seja, talvez na Idade Média ou no tempo da Idade da Pedra, à beira mar plantado!

Por isso, por sabermos já de tudo ou quase, sobre incêndios, eu vou falar aqui dos que me tocaram mais de perto, aqueles que, tão tristemente, vão destruindo tudo, pelas minhas Montanhas Lindas.



Quando, no sábado,  chegamos a Soajo, vindos de Castro Laboreiro, para rumarmos a Lisboa, encontramos a continuação da acção destruidora deste fogo que durava há oito dias. Saímos de Lisboa numa 2ª feira e ele tinha começado no sábado anterior e partimos com ele em plena fúria, após actos contínuos de reacendimento segundo ouvimos às autoridades

Quando saí da minha casa, caminhando rumo a Norte, levava na minha bagagem as tormentas dos incêndios, que preocupam todos mas, dois deles, preocuparam-me por todo o caminho: "o incêndio de Soajo e o incêndio da Mata de Cabril".

Quando, pela tarde, chegamos a Soajo, embora que, em lume brando, as fumarolas, os cheiros a queimado, a escuridão da área ardida ainda lá estavam. Era segunda-feira, à tarde, e nós seguimos rumo ao Hotel da Peneda.

Nos cinco dias que se seguiram, sempre que me deslocava, em redor das minhas montanhas Lindas e por terras da Galiza, não perdia de vista as fumarolas de Soajo e da Mata de Cabril. Mesmo quando não as via, aquelas zonas do céu, nas suas verticais, mostravam-me as terríficas negridões das fumarolas que subiam, como lá estariam as coisas e como tais incêndios causam tanto mal.

Enquanto os meus olhos reparavam nessa escuridão do horizonte elevado, rodando rumo a Caminha, a Baiona, na Galiza, e mais tarde rumando para Melgaço, em direcção a Castro Laboreiro, a minha alma ouvia lá longe, os gritos de tudo o que morria à passagem das terríficas labaredas. As flores dos montes de Cabril, na serra Amarela (eu gosto de tratar os bois pelos nomes) e das fraldas das minhas Montanhas Lindas, no lado oposto, gritavam quanto podiam pelo socorro do Ventor! Junto com os gritos das flores, das árvores, dos matos, chegavam os gritos de todos os outros seres vivos, os pássaros em fuga, os gafanhotos, os besouros, os coelhos, os lagartos, as lagartixas, ... tudo! Mas o Ventor nada podia fazer e nem tinha como ajudar! Ao cair da noite, junto de uma terra chamada Alcobaça, situada, algures, entre Melgaço e Castro Laboreiro, eu via lá longe as labaredas a destruir tudo, enquanto a noite descia.




Na nossa caminhada da Barragem de Lindoso (onde os Canadairs iam abastecer-se de água) para Ponte da Barca, assistimos à azáfama daqueles que se empenhavam nessa luta sem tréguas, para debelar a hidra de cabeças sem fim. Este helicóptero abastecia-se de água na barragem de Touvedo e ia despeja-la, tanto quanto possível, sobre uma das cabeças da hidra que caminhava diabolicamente rumo ao berço do Ventor - a sua Assureira e Adrão

Durante a minha caminhada pela Pedrada, ao chegar ao Muranho, uma ave espavorida, que eu nunca tinha visto, pelas minhas Montanhas Lindas, passou sobre a gente e foi pousar bem cansada sobre uma moita de urze, junto da Celeste. Eu caminhei para lá, com a máquina em posição de fotografar, mas ela, aterrada, levantou voo em direcção do sol e as duas fotos que lhe tirei, não dão para a identificar. Aposto que essa ave sentia que o seu mundo estaria para acabar!

Depois, mais tarde, na Portela de Baixo, frente à Fraga da Nédia, estive a fotografar os Canadairs que passavam sobre os montes de Paradela para se abastecerem de água na barragem de Lindoso, para despejar nas labaredas que teimavam em queimar tudo que existia em volta de Soajo. Mas nada podia deter as chamas! A noite ia cair e os Canadairs iriam deixar de poder operar e tudo iria recomeçar. Na sexta-feira tudo continuava como na véspera. Saídos de Castro Laboreiro, rumando a Arcos de Valdevez, os bichinhos e as flores que o Senhor da Esfera colocou nas minhas Montanhas Lindas, continuavam espavoridos e, muitos deles, a serem devorados pelas chamas.



Os Canadairs, abasteciam-se na Barragem de Lindoso e despejavam as águas, incansàvelmente, nas várias cabeças da hidra 

No sábado, quando estávamos de partida, rumo a Lisboa, sem desprimor para a tarefa árdua dos bombeiros, concluí que não valia a pena lançar os Canadairs e os Helicópteros contra as chamas devoradoras e insaciáveis de matos que tentam sobreviver à morte, morrendo e revivendo, deixando no seu espaço, em tempos de secura, autênticos barris de pólvora.



Pelo menos, um dos Canadairs era francês, creio que a França enviou dois e eles, religiosamente, faziam a sua caminhada de vai-vém entre a Barragem e as zonas dos incêndios, procurando tirar o maior rendimento possível da sua acção sobre a hidra

Tanto quanto me pareceu, os Canadairs, ou outros aviões que haja por aí, para apagar incêndios, ou actuam imediatamente ou, chegando tarde, a sítios como os montes do Parque da Peneda-Gerês, tornam-se, na prática, inúteis. Eles iam carregar água na barragem de Lindoso e descarrega-la, logo ali, ao lado, nos montes de Soajo. Mas, no seu vai-vem, mal despejavam a água, quando regressavam, e olhem que é bem perto, já o fogo devorava a água e tudo onde ela tinha caído.

Eu não percebo nada disso, nunca fui bombeiro embora já tenha apagado incêndios, nos tempos que os matos não eram pólvora, acho que em fogos como os de Soajo e de Cabril, dois Canadairs e helicópteros, nada podem fazer! Como não há mais, ouvi dizer na Rádio que vieram dois de Itália e dois de França, ou então foram notícias confusas, mas sei que um dos dois Canadairs que actuaram, em Soajo, no sábado, era francês. Para um fogo como o de Soajo, para debela-lo logo no primeiro dia, eu penso que só com quatro ou seis Canadairs. Depois, nem uma dúzia. As labaredas levam tudo à frente. Não é por acaso que alguém dizia: "quando julgamos que está tudo apagado ele reacende-se"!



Assim, enquanto na minha caminhada pela Pedrada as rainhas das Montanhas me perguntavam porquê (?), as flores me sorriam, inocentemente, sem se aperceberem do horror que as espreitava lá de longe

Eu pergunto: "reacende-se ou há alguém que não o quer ver apagado"? Pelo que ouvi, é uma pergunta com cabimento! Nós passamos na estrada de Soajo para Arcos de Valdevez e vimos gente de várias corporações de Bombeiros deste país, estacionados na área do Mesio. Outros encontramos pelo caminho, rumo ao mesmo destino.

Mas quando saía de Adrão e vi, lá em baixo, os montes dos dois lados do rio de Adrão a arder, pensei que nada iria escapar. Partindo do fundo de Soajo, já nos arrabaldes do velho moinho da Trapela e de Ramil, as chamas devoravam tudo. O meu pensamento foi que não haveria Canadairs que protegem-se a nossa Assureira. Os carvalhos da Assureira iriam arder todos e, com eles, os melhores tempos da minha vida!

Ainda hoje não sei onde o fogo foi detido e quantos Canadairs foram utilizados, mas olham que, se há matos pólvora, aqueles matos devem ser o mais perfeito que há! 

Estive lá em 28 de Agosto de 2006 e, este ano, a pólvora já estava com mais 4 anos de crescimento e de secura em cima.

Voltarei aqui para vos continuar a falar dos incêndios e do Parque Nacional da Peneda-Gerês, agora, mais uma Maravilha Natural de Portugal!|


sexta-feira, 3 de julho de 2009

Hoje passei por Soajo

Sim! Hoje passei e passeei por Soajo!


Hoje voltei a caminhar entre os espigueiros, a lançar a minha vista sobre aquelas minhas Montanhas Lindas.

Voltei a olhar o lado de lá, aquele lado que, subindo desde o rio Lima, suporta a estrutura norte da serra Amarela.

Eu sei, eu sei!

Os milhos de Soajo estão a crescer, a ser regados, a prepararem-se para poderem encher os espigueiros. Também sei que, hoje os milhos, existem quase só por diversão! Para alimentar o porco, as galinhas e para matar saudades da broa. A broa que nos fazia sonhar! Que nos alimentava os sonhos e a alma!



Este exemplar, cujo nome já não me lembro, procurava-o há muito e já desbravei centenas ou milhares de hastes, deste arbusto, para descobrir um. Estará mau para eles, também!

Hoje, as gentes de Soajo começaram a ir de fora, mas outros foram com elas. Estiveram lá presentes, além de Soajo e arredores, gentes dos Arcos, de Braga, do Porto, e sei lá mais de onde. Todos foram ver Soajo a velha vila recuperada, mas mais que isso, olharam todas aquelas montanhas, em volta, e verificaram que, mesmo com um capacete de nuvens, elas continuam a ser lindas.



Este espantalho não é daqueles que a tia Custódia engendrava lá pela Assureira, mas eu chamei-lhe logo, o guardador de girassóis

De manhã, recebi no meu telemóvel a informação de que a RTP, iria fazer o seu programa para o mundo, a partir de Soajo. Depois recebi algumas chamadas a informarem-me da dita emissão e, cheguei a casa, almocei, mas esqueci-me. Deitei-me sobre a cama e adormeci, mas há sempre alguém que não quer que eu durma e voltaram a acordar-me por causa da RTP a emitir de Soajo (olá Tina).



Cerca do meio dia deparei-me com este campo de girassóis, em Campolide, Lisboa, mas a bateria fintou-me. Deixou-me a falar só



Olhem-me só estas maravilhas!

Depois liguei a televisão e assisti a um programa com a ameaça de chuva até que a ameaça se cumpriu. Eu disse logo, depois de ver as nuvens a esconderem as minhas Montanhas Lindas de mim, que a emissão só poderia continuar debaixo dos espigueiros ou na escola. Não sei se o programa acabou normalmente, se precipitadamente. Raramente a televisão, qualquer delas, é um dos meus passatempos preferidos. Muito raramente! Mas hoje ela, a RTP, trazia-me Soajo e eu, voltando a sonhar com o passado, marquei presença!


Bom dia girassol! ... girassóis!


E todos em conjunto: BOM DIA, VENTOR!

A RTP, aposto, terá feito um belo programa, pelo que vi. Pelo menos para aqueles que foram obrigados a abandonar o berço para procurar outros pedaços de mundo. Tenho a certeza que, a quadra deixada, no fim do programa, pelo meu amigo Manuel da Pedreira, foi um belo remate. Ele deixou os beijinhos das gentes de Soajo, dos soajeiros, para a RTP e eu, que só me posso associar a ele, também deixo aqui os meus agradecimentos a essa mesma RTP por conseguir levar um dos mais belos recantos do nosso país a caminhar mundo fora.


São lindos, não são?



Mais lindos ainda por inesperados em tal local mas, todos gritaram para mim: NÓS SOMOS LINDOS!!!!!

Mas eu, caminho sobre todos os valores possíveis, reais ou virtuais! Caminhei pela manhã, durante uma hora, sobre pedaços de vida que me alimentam a alma, em falta das minhas Montanhas Lindas. Nessa hora dialoguei com esta beleza, além de outras e, para remate, fiz mais uma bela caminhada de uma outra hora, por Algés e Miraflores, onde dialoguei com um coelho bravo num local impensável. Voltei a Lisboa e deparei-me com um belo campo de girassóis num local onde não sonhava que existisse.



Mas este mirone de Miraflores, só pelo rastejar assapado do gajo imaginei logo um coelho. Pensam que fugiu? Dei passos atrás, passos à frente e fui disparando a máquina. Em todas as fotos só vejo um olho do gajo. Sempre um olho por entre os arbustos! A minha máquina de um lado e a dele do outro. Reparem bem no centro da foto!

Depois, regressei a casa cansado, almocei e encostei à box, esperando por melhores tempos. Foi a intervenção telefónica da Tina que me relembrou e me levou a Soajo através da RTP.

domingo, 28 de junho de 2009

Alex e Tina, em Soajo

No dia de Santo António, o Alex e a Tina, depois de caminharem apressadamente por Arcos de Valdevez e de renovar energias no restaurante "o Lagar", aventuraram-se a uma curta passagem por Soajo, para afagarem os seus olhos com uma pequena olhada pelas fraldas das minhas Montanhas Lindas. Para isso, subiram até ao Mesio, observando os montes que sobem dos arcos, sustentando a Pedrada desse lado. Ao passar o Mesio, eles terão olhado à sua direita o monte Gião e, então, foram escorregando até Soajo!

Uma bela placa a enunciar Soajo

Claro que, tiveram, tal como todos os turistas apressados, além de darem uma pequena olhada pelas fraldas dos montes da serra de Soajo, de dar, também, uma olhada simbólica pelos espigueiros, os famosos espigueiros de Soajo, não só pelos espigueiros em si, mas porque se encontram integrados naquela célebre eira comunitária e, no seu conjunto, eles são um belo monumento integrado em toda essa beleza.


Os espigueiros de Soajo



A imagem deste espigueiro é tão imponente como as próprias espigas de milho que guarda e que simbolizam a própria vida das gentes das aldeias do Norte

Mas eles não se esqueceram que, um dia, na escola ao lado dos espigueiros, a escola de Soajo, eu desci das minhas Montanhas Lindas para ali enfrentar os professores "papões" que colocariam raposas às costas dos putos "burros" de Adrão.

Mas não foi assim!

Por dois anos consecutivos, eu achei-me em condições de surpreender os de Soajo, com as minhas habilidades do a, e, i, o, u e do 1, 2, 3, 4 ...!



A Escola de Soajo. Olhando esta porta, deixo aqui a minha homenagem a todos os professores que nela entraram, de Soajo, os do meu tempo e especialmente ao Professor Enes que me fez a 4ª Classe, em Arcos de valdevez. Era o Chefe do Júri e sei que gostou do meu "show", ao fugir com a mão da professora (quando entendeu dar-me uma ajuda no mapa), e dizer-lhe: "deixe lá que eu sei isso tudo"!


Até parce que a escola presta a sua homenagem aos espigueiros!


Soajo é uma aldeia airosa, tal como os seus espigueiros

Na 3ª Classe, foi um professor de Soajo a Adrão, à nossa escolinha do Senhor da Paz, para nos fazer esse  célebre exame e, na 4ª Classe, tive de me deslocar aos Arcos de valdevez, onde ainda não haviam as estátuas dos Afonsos, montados em cavalos mancos, mas muitas novidades para os dois putos descidos da serra.

Mas eu quero escrever ou falar aqui (imaginem que sim), para o Alex e a Tina e outros que venham a ler, da Portela do Galo e do Curral Coberto.



Foi debaixo de um destes espigueiros que eu comi a minha sandes de presunto e bebi o meu pirolito nos dois anos que lá me desloquei, à escola

Vêm esses montes na foto de baixo? No lado direiro, fica a Portela do Galo e, no centro, fica o Curral Coberto. Era por aí que se caminhava entre os Poços, em Paradela, e a Assureira, uma das duas Brandas de Adrão. Era por aí que transportávamos, às costas, as uvas para o Lagar da Assureira e eu, ainda pequenino, já tinha de caminhar, ao lado dos grandes, com uma cesta de uvas aos ombros. Ali não havia tempo para o lazer! Por isso eu digo a todos que, lá por Adrão, já trabalhávamos desde que acabávamos de nascer, na mesma altura que começávamos a beber vinho! Só que eu dizia que, para beber vinho era preciso estar bem vivo e com tamanho carrego, certamente o vinho não me serviria grande coisa. Por isso, o ideal seria deixar ficar parte das uvas pelo caminho!


Os montes, em frente, da direita para a esquerda, são a Portela do galo e o Curral Coberto, a caminho da Assureira

Olha as uvas, Ventor! Tu vais muito depressa e as uvas saltam fora da cesta! Não quero saber das uvas, enchemos a cesta de mais.

Claro! Subir todo aquele monte, desde os poços, até à Portela do Galo e carregados, era obra! Depois, era sempre em frente ou a descer e sabia bem ver as uvas descarregadas dentro daquele grande recipiente de pedra e a prensa de madeira pronta para, com alguma força, descer sobre aquela bela "rosca" de nogueira!

Daqueles montes da Assureira, caminhava, observando os espigueiros de Soajo, tal como um lobo, vai caminhando a observar a sua presa!


Estes espigueiros, eu observava dos montes da Assureira. De muitos locais das minhas Montanhas Lindas