sábado, 18 de julho de 2026

Montanhas Lindas - Serra de Soajo

Uma parte das Montanhas Lindas do Ventor

 

 

 

 

 

 

 

 

Como eram lindas as minhas montanhas! E como foram transformadas por mãos criminosas em 2006. Mas as vozes dos deuses fizeram tudo para acalmar a mente do Ventor. Esta música representa o choro de todos aqueles que, de entre as estrelas caminharam nelas, espreitam os estragos de gente sem escrúpulos

 

domingo, 31 de maio de 2026

Fotos com legendas

Faleceu a Bonnie Tyler


Mas que grande dor de coração Bonnie Tyler. Vamos sentir a tua falta.
Que Deus te tenha a Seu lado
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Agora, encostei no meu cantinho, de onde vou espreitando por algumas destas janelas, já prontas, da minha Grande Caminhada. Siga por aqui "Ventor Observando o Passado".

Foi em Adrão que tudo começou. Agora a Página Luiz Franqueira


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Nasci em Adrão

O Cantinho do Ventor

Caminho por aí

Caminhei por Moçambique

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Com o meu Quico

Caminho pelo Passado

As Belezas do Ventor

O Azul do Planeta

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Observei a Natureza

Com o Pilantras

Estou entre as músicas

Somos filhos do Sol

terça-feira, 19 de maio de 2026

Rojões na serra de Soajo

Vejam estes golosos a comer rojões assados na serra mais linda do mundo - a serra de Soajo

Assar rojões na serra de Soajo, nos braseiros dos torgos das urzes, é uma tradição de séculos. Os que eles estão a comer em cima, são estes. Eu estou de serviço às fotos.

domingo, 12 de abril de 2026

Olá Primavera

 Vem aí a Primavera.

mimosas, um foco de amarelo

Vamos entrar em mais uma. Sim porque todos os anos têm uma Primavera! Espero que o ano de 2005 também tenha a sua. Houve tempos em que as flores definiam as Primaveras, mas hoje já não é bem assim, pois flores há todo o ano. No entanto, na Primavera há mais! Mas as Primaveras costumam, para além de irradiar flores, serem radiantes de vida e isso eu já estou a ver este ano.

Já vi a primeira andorinha de 2005, já vi as borboletas bailarem à minha frente, já assisti às minhas sinfonias mágicas com abelhas e besouros num belo palco amarelo, pintado com uma tinta especial - a flor do tojo. Também já vi as rolas, os melros, os gaios e demais passarada, nos seus namoriscos. Enfim, já vi tudo que dá para poder definir uma Primavera. O que eu não vi foi o Inverno e já não vale a pena procura-lo. Vi apenas alguns dias frios! Não vi chuva, não vi tempestades a virar guarda-chuvas, não vi nada a não ser descontentamento. Mas vi o chão gretado pela seca, com autênticas cavernas e vi a aflição das flores e das plantas a tentarem sobreviver devido à seca.

chapim real

Agora vem aí a Primavera e com ela o dia da Árvore. As pessoas, comandadas por grupos cheios de boa vontade, vão plantar árvores em locais homenageando assim uma das belezas que a Natureza nos oferece. A árvore é bela e útil para a humanidade e seus companheiros de caminhada e aqueles que já passaram por desertos, sabem avaliar o quanto vale uma árvore.

Para mim as árvores são belas companheiras de caminhada. Tenho bastantes árvores cinquentenárias, plantadas por mim quando pequeno. Algumas já foram úteis para a família. Já deram madeiras e lenha pelos anos fora, outras já morreram queimadas por indivíduos trôpegos de mente. Mas hoje recordo, vivamente, o carinho com que plantava uma árvore. Com que a agarrava e a prendia à vida. À vida dela e à nossa.


Um salgueiro

Recordo como as limpava, como as replantava em locais mais adequados e como ficava fulo quando os meus pais entendiam que a árvore não podia estar ali. Aí ainda era pequeno de mais e o sítio não era realmente o adequado, mas eu tratava a árvore como o ser vivo que é. Pegava nela e dava-lhe o local adequado e a minha mãe ficava toda encantada. Havia um velhote, o ti Dafonte, que dizia que eu iria ser um grande jardineiro. Quem me dera! Afinal nasci para mexer em muita coisa, mas não em jardins. No entanto, sei aprecia-los! Dói-me a alma quando vejo os jardins mal tratados por vândalos da sociedade! As pessoas, normalmente, embora não perceba porquê, são mais inspiradas a fazer mal.


Os "gatos" dos salgueiros uma beleza deste mundo

Em Massamá, plantei 6 árvores nos largos canteiros do passeio abandonados por todos. Foi o meu trabalho ao comprar ali casa. Árvores bonitas, das quais três eram palmeiras. Tinha uma sempre noiva que estava sempre florida e a malandragem partia-lhe os galhitos e depois partiu-a a ela. Quantas vezes eu ia a Massamá, de propósito, só para as regar a ver se resistiam aos calores dos Verãos. Ninguém ligava aos canteiros e eu até me permiti, enterrar o meu Rafinho (coelhinho anão) entre duas dessas pequenas árvores.

Um dia alguém se lembrou de ajardinar os canteiros, em Massamá. Chegaram e cortaram as árvores para colocarem lá outras, por sinal de mau gosto. Foi um grande choque porque tinha ali investido uma "pequena fortuna" em árvores e trabalho, devido ao abandono que se verificava. As minhas palmeiras eram bem mais bonitas do que as que as substituíram. Enfim, negócios!

A beleza das borboletas

Agora, espero que as árvores que vão ser plantadas neste Dia da Árvore, tenham água para sobreviver ao verão seco que se avizinha e que não pensem nas árvores apenas neste dia. Claro que não vos vou pedir para passarem a vida a plantar árvores, e depois aparecerem outros e corta-las, mas peço-vos para as olharem, as respeitarem e agradecer-lhes a sua presença na nossa caminhada.


As florestas do nosso consolo

Uma janela deve servir para alguma coisa. Por ela podemos observar de tudo um pouco, como florestas e prestar nossa homenagem às matas selvagens onde, por vezes, tropeçamos, com os olhos ou com grandes caminhadas. Foco duas em homenagem a todas as outras. Uma é a mata de carvalhos de Albergaria no Gerês, acessível a todos, outra é a mata de carvalhos no Ramiscal, nos contrafortes da serra de Soajo, ecossistemas primitivos protegidos no Parque Nacional Peneda-Gerês. A mata do Ramiscal é apenas acessível a privilegiados (gente com capacidade de fazer pedaladas) e só a vejo a escassos intervalos do meu tempo mas está sempre no meu coração.

sábado, 11 de abril de 2026

A Caminhada do Ventor por Adrão

 Foi há 75 anos!

Foi por lá, na bela serra de Soajo, pelas suas fraldas, que eu aprendi a caminhar e a observar as belezas que a sua bela Natureza nos oferece. Foram 15 anos dos quais não me esqueço.

Hoje, ao caminhar pela serra de Soajo, vivo, em sonhos, mais de meio século depois, os primeiros 15 anos da minha vida.

Como já tenho dito, por aqui, recordo, sonhando, aquelas pequeninas passadas que ia dando agarrado às saias da minha mãe para não beijar as pedras que, "estoicamente" me ameaçavam, numa espera permanente, aguardando mais um tropeção.


As rochas graníticas metamorfizadas no Alto da Pedrada, resultado de milhões de anos da accão dos gelos, das alterações térmicas e não só, foto de 12.10.2010

Ainda hoje vivo, em sonhos, as passadas que dava agarrado à mão de meu pai, especialmente, ao atravessar as águas que lenta ou rapidamente desciam as encostas, seguindo sempre as descidas da gravidade apontando rumo ao rio Lima, lá em baixo.

Vivo, em sonhos, o caminhar atrás das vacas, alargando sempre a passada, tão larga, quanto possível, até um dia atingir o Alto da Pedrada.

A Pedrada!

Sim! Aquele amontoado de pedras que a filha de um rei qualquer das Astúrias teria juntado para construir o tal palácio.

A lenda é bonita. Muito bonita!

Mas ... temos agora o assentamento romano ... !


As mesmas rochas vistas, cá de baixo, quando subia do Fojo do Lobo do lado de Travanca, foto de 12.08.2010

A lenda é bonita porque nos fala de valores humanos e de beleza.

Essa filha desse tal rei, uma bela princesa, sentia-se infeliz na sua terra de nascimento. Andava sempre triste e seu pai, o rei, estava preocupado com ela e achou que a filha precisava de conhecer mundo. Os dois acordaram no seguinte: a princesa iria caminhar na direção que quisesse procurando uma terra onde se sentisse feliz ou encontrar um local que lhe agradasse para aí construir um palácio.

Assim foi. Depois de percorrer várias terras, atravessar rios, vales e serras, foi dar com uma montanha linda. Olhou em volta e, tudo o que via lhe agradava. Só via serranias e vales profundos e, depois de tanto observar o que a rodeava, apressou-se a informar o seu séquito que era ali que construiria o seu palácio. Por isso, enquanto iria às Astúrias informar o seu pai podiam começar a transportar as pedras para a construção.

Regressou e chegando junto do seu pai, informou-o de que a sua vida iria mudar radicalmente. Tinha encontrado o seu local desejado para a construção do seu futuro palácio e já deixara lá parte dos seus acompanhantes para darem início aos trabalhos. Já começavam a juntar as pedras para a construção.

Pegou nas mãos do pai esfregando-as e disse-lhe: «pai, não haverá local mais bonito no mundo. Todo o horizonte em redor daquele sítio é fabuloso. Montanhas e mais montanhas a perder de vista e por cima dos cabeços das montanhas somos acariciados por uma brisa marítima carregada de iodo. Por lá, pelos seus vales e encostas há muitos lobos, javalis, veados, ursos, ... e muita floresta de carvalhos e demais árvores como as nossas aqui. Vou construir naquele local um palácio lindo e ....»».


Subindo do Fojo do Lobo de Travanca, rumo à Pedrada, foto de 12.08.2010

O rei não passava de um homem e, foi contagiado pelo entusiasmo da filha, pensando que exagerou ao dar-lhe a possibilidade de se tornar uma princesa feliz.

Sisudo, tentando observar o vácuo diz: "não minha filha, se esse sítio é como tu dizes, só pode ser digno de um rei".

Ele matou o sonho da sua filha, a sua princesa. Assim, ainda hoje lá estão aqueles pedregulhos de granito à espera de uma outra princesa que dê andamento à obra.

Quando hoje caminho pela Pedrada e observo aquela gigante cascalheira de pedras recordo a bonita lenda e recordo também como ela foi bonita para mim. Quem melhor a contava era o ti Manuel Ramos ao me explicar como tinha ficado sem a sua mão ao manipular um petardo dos foguetes lançados na romaria da Peneda e que lhe rebentou na mão.

«Luiz, nunca mexas nessas coisas. Não te esqueças que ainda podes vir a casar com uma princesa que vá acabar de construir o vosso palácio na Pedrada».


Foi uma grande subida, no calor de 12.08.2010, com a zona do Mezio, para trás, cheia de fumo, de um incêndio rumo ao monte Gião

Mas hoje, caminhando sobre os granitos da Pedrada, eu tento esquecer a lenda. Esqueço a princesa da Pedrada e o seu pai, um rei sem palavra.

Recorro à Geologia, à Morfologia das Rochas e vejo que o rei é o Tempo e que a princesa é a filha do tempo. Caminhando sobre a serra de Soajo, caminho sobre o tempo geológico e sou informado pelos especialistas que as suas rochas graníticas, tal como as dos planaltos de Castro Laboreiro são muito antigas pois têm mais de 300 milhões de anos.

Dizem-me também que todos os vales em U já foram glaciares. Estou a lembrar-me da Seida. A Seida é um vale quase em U e os gelos desciam da velha Pedrada rumo à montanha de Santo António de Vale de Poldros, desviando-se à esquerda rumando pelo vale do rio Vez. Também os especialistas me dizem que os granitos da Pedrada são resultado das intrusões das águas e dos gelos sobre os granitos e das grandes alterações das temperaturas térmicas, na caminhada dos milénios, delapidando-os.


Esta foto, tirada de Arcos de Valdevez para a Pedrada, em 29.08.2016, péssima, devido às circunstâncias, foi por ela, ainda na máquina que eu soube que a Pedrada tinha ardido. Mas eu não acreditava, porque a foto era pequenina e eu fiquei com dúvidas. Pensei contudo fazer uma caminhada à Pedrada e só quando caminhava do Alto da Derrilheira para a Corga da Vagem, já com a Pedrada em frente do nariz, verifiquei, sem dúvida que tinha ardido mesmo. O muro, em cima, à esquerda, é o muro do Fojo do lobo pendurado sobre o Mezio

A Pedrada terá sido, então, através de milhões de anos e das várias eras geológicas um centro de gelos que desceram em seu redor em todas as direcões. Ela faz parte da cordilheira Central Ibérica o Massiço Hispérico que se estende rumo à serra da Estrela e por diante, nomeada Cordilheira Hercínica ou Varisca. É uma cadeia rochosa onde as forças compressivas se iniciaram no Devónico, por volta dos 380 milhões de anos e se prolongou até ao Pérmico por cerca de 100 milhões de anos. As rochas graníticas da Peneda, entre a Pedrada e o planalto de Castro Laboreiro, como a Meadinha, a fraga da Nédia e parte leste da serra do Gerês são milhões de anos mais novas que os granitos da serra de Soajo.

A cadeia Hercínica ou Varisca é constituída por rochas muito deformadas com predominância de rochas graníticas e muito metamorfizadas. São estas, grosso modo, os "madeirames" do berço da nossa serra de Soajo. Voltarei!