Rojões na serra de Spajo

Rojões na serra de Soajo

Vejam estes golosos a comer rojões assados na serra mais linda do mundo - a serra de Soajo Assar rojões na serra de Soajo, nos braseiros dos...

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sábado, 4 de setembro de 2010

Da Pedrada ao Muranho

No Alto da Pedrada tinha de fazer opções: voltar a fazer o inverso da caminhada, descer até ao Fojo do Lobo de Gorbelas (Brusca, Seida, ?) ou, então, descer pelo lado inverso, na direcção de Arcos de Valdevez e, visitar o Fojo do Lobo cujo buraco se dirige para os montes de Travanca/Mesio e julgo chamarem-lhe o Fojo de Covas (mas, como as minhas gentes chamam vários nomes à mesma coisa, não sei). E, como seria razoável, decidi por este porque, nunca tive oportunidade de fotografar o seu buraco, devido ao matagal onde se integrava.

(Deixo-vos algumas fotos, aqui, no Shutterfly)



Um troço do muro do Fojo do Lobo de Covas. O seu braço esquerdo dirige-se, na direcção do Monte Gião, desde próximo do Alto da Pedrada, junto ao Palácio da Dourada, o Cortelho onde a vaca do ti Joaquim Brasileiro entrava para dormir a sesta

No Alto da Pedrada, cerca das 13 Horas, o vento parecia apostado em enviar-me pelo ar, rumo a Arcos de Valdevez. Soprou bem, dirigido de Castro Laboreiro e até me ajudou na descida. Lá fui rumo aos muros do Fojo que se vêm lá em baixo e cujo muro esquerdo começa, mais ou menos, no centro do Outeiro Maior, quase junto ao cortelho onde, a vaca do ti Joaquim Brasileiro, com o nome de Dourada, costumava dormir as suas sestas. Disseram-me, e eu acredito que, a Dourada, era a única vaca que tinha a mordomia de ter o seu Palácio na Pedrada.



Lá ao fundo, o Monte Gião a arder mas, na sua rectaguarda, quem vai de Ermelo para os Arcos de Valdevez, o fogo parece aterrador

Lá fui descendo e, num certo local, o telemóvel tocou. Era a minha companheira que, com a irmã e o cunhado almoçavam num tasco, em Arcos de Valdevez e, mais estavam apostados a exaucrinar-me com os seus belos pratos e bebidas frescas, enquanto eu, feito lobo solitário, continuava a descer rebocado pelo vento, sedento, sem água e com duas cervejas quentes como o caldo, enfiadas na mochila!



Algures, escondido no mato, fica o buraco do Fojo do Lobo de Covas

Fui mesmo até ao fundo do muro, ao ponto de avistar o buraco ou melhor, o local onde ele deve estar. Quando verifiquei que, descendo mais cerca de 100 a 150 metros, o meu buraco não se mostraria à minha máquina, nem esta tinha possibilidades de o rebocar até mim, desisti!

Inverti a marcha e observava o horizonte bem junto ao nariz, o que me indicava que teria de trepar muito, para chegar lá cima. Não ao cimo da Pedrada mas à cota do Olheiro do Avô, para torcer para a Corga da Vagem onde, aí sim, mataria a sede, não com água, mas com uma das garrafinhas superbock que me tinham carregado todo o trajecto. Trepando de rocha em rocha, cheio de sede e cheio de calor, cada vez mais me parecia encontrar o objectivo mais longe. Ainda me voltei para trás e tirei as medidas às encostas que me poderiam levar até ao Mesio, tentando descortinar velhos trilhos e vi uma galanta que, de cabeça no ar, me observava como que a fazer-me perguntas.



Ainda pensei seguir a minha caminhada rumo ao Mesio, mas inverti a marcha com o horizonte, bem acima da minha cabeça. Para baixo os santos e o Vento soprando de Castro Laboreiro, deram uma ajuda, mas agora? Agora, rebocar o atrelado!

Por fim quase me pareceu ouvi-la! "Trepa essas rochas Ventor, olha o vento e o fogo no Monte Gião"!

E era! Era aterrador ver as belas áreas de biodiversidade nas minhas Montanhas Lindas contorcerem-se nas chamas do horror. Como eu saberia tratar de todos esse selvagens que, propositadamente, deitam fogos no meu berço e por esse mundo fora. Há dias, que observava o fogo de Cabril, desde todos os recantos por onde caminhva, os fogos de Soajo, do Gião e outros que encontramos pelo caminho. Toda aquela visão dos pontos mais altos das minhas Montanhas Lindas se tornava macabra a meus olhos.



Foi aqui que o Sardão, mal enjorcado, me gozou! Força Ventor, força. Costumas dizer que subir não custa. Eu vou aqui para uma sombrinha, que me assustaste! E foi mesmo! Incrédulos ele e eu!

De repente, senti rastejar a meus pés algo que ainda não via e me tirou daquelas visões horrorosas das labaredas. Liguei a máquina e apontei-a mas, não deu tempo para disparar. Um lagarto, daqueles que nunca tinha visto, deu-me a oportunidade de o olhar antes de se meter debaixo da rocha. Era um sardão semelhante a muitos outros que já por ali tinha visto. Só que, este, não era esbelto como os meus sardões conhecidos. Era todo verde escuro, pernas grandes, grossas e rasteiras, um corpo curto e cilíndrico, bem grosso e uma cabeça grande quase metida entre as patas dianteiras.

Pensei em ficar por ali até ele voltar a sair e me desse tempo para atingir o meu objectivo - o Fojo, sobre a Coroa, onde a minha gente me largara às 10 horas da manhã.



O nosso frigorífico! Na nascente da Corga da Vagem, gelei esta cervejinha, a minha safa!

Mas a sede era muita e a distância não era pouca até chegar ao nosso "frigorífico" - a nascente da Corga da Vagem. No Olheiro do Avô ainda havia água nos lamaçais pisados pelas vacas, mas não dava para beber. Por isso dei mais uma aceleradela até à Corga da Vagem. Ali encontrei algumas "Rainhas das Montanhas", levadas pelos mesmos desígnios que os meus - beber. Eu podia arriscar beber a água, mas estava quase estagnada e, tal como na Naia, seria palco de sapos e râs. As duas cervejas que reboquei, durante horas, serviam exactamente para estes momentos. Os momentos de desilusão proporcionados pelas secas.




Parti rumo ao Alto da Derrilheira, virei-me para trás e vi ficarem as nossas rainhas da Montanha descansando com a barriga cheia de água 

Cerveja para o frigorífico, máquina a disparar sobre as nossas "Rainhas das Montanhas", os tira-olhos, as flores, ... e, num ápice, lá estava a cervejinha saída da mais bela "caixinha" onde o metal e a electricidade nada mandam.

Depois, caminhei da Corga da Vagem até ao Alto da Derrilheira, sempre observando os fogos, os Canadairs, os Helicópteros e, certamente, a esperanaça de quem dirigia essas belas máquinas, em debelar os monstros proporcionados por Vulcano. No Alto da Derrilheira, tudo faz mais sentido! Dali vejo e fotografo o meu Berço, o mais lindo berço do mundo, sem desprimor para os Berços dos outros.





Do Alto da Derrilheira tirei muitas fotos e virei-me para a esquerda, iniciando a descida para o Poulo do Muranho. Lá estavam aqueles que deveriam ser os meus companheiros de caminhada. Parece que vou de avião! Este local é, para nós, uma espécie de Santuário. E agora, para nunca o esquecermos, temos por lá, em espírito e em cinzas, o nosso amigo Joaquim - o Pequeno. Nunca o esqueceremos. Um pequeno do meu tamanho! Era Pequeno no nome, porque eram dois primos e se chamavam Joaquins. Para nós eram e ficaram sempre a ser, o Grande (o mais velho) e o Pequeno (o mais novo). Que belos tempos!

Apontei a máquina para a minha esquerda e lá está o Poulo do Muranho, os seus Cortelhos e, algures, entre as urzes, a mais bela das minhas fontes, na serra, onde sempre bebi água! Mas achei que o Muranho estava demasiado colorido. Sacos-camas, chapéus, gentes coloridas e parecia-me que não descortinava quem estaria a mais ou quem estaria a menos!

Mas a sede que tinha aguentado durante horas, estava longe de ser sanada com uma garrafinha de cerveja. Desci da Derrilheira para o Muranho e sempre em direcção da nascente do nosso contentamento. Ali cheguei, meti a outra cerveja na friza, enchi o meu célebre copo de plástico de água pura e gelada e comecei a perceber porque, por ali, estou sempre Pertinho do Céu!




Os amigos, separam-se, perdem-se, reencontam-se e arrajam-se outros! Este casal de franceses, encontrados, em Soajo, pelo Zé Manel, queriam ir conhecer as nossas Montanhas Lindas e não podiam arranjar melhor companhia que a rapaziada de Adrão. Aposto que nunca mais esquecerão o Muranho, a Pedrada e o Fojo do Lobo de Gorbelas, da Seida, da Brusca, como quiserem! Ele está no centro disso tudo!

Olhei para o lado, junto da nascente, e vi uma panela. Seria a panela do grande cozido para o Luis, o António, o Zé Manel e, vim a saber depois, para um casal de franceses, filhos da França, que ali estavam com eles e queriam conhecer as nossas Montanhas Lindas.

Tanto quanto sei, o Zé Manel encontrou-os em Soajo e ter-lhe-ão perguntado algo sobre as nossas Montanhas Lindas e ele, filho de Adrão e dos Arcos, disse-lhes o que iriam fazer no dia seguinte e convidou-os a acompanha-los se realmente os interessava. E assim foi!

Sorrisos que eu colocarei aqui se eles voltarem a aparecer e se me permitirem.



O adeus do António, em pleno Muranho. Para o Ano, se o Senhor da Esfera o permitir, assim o espero, lá nos encontraremos 

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Um Brinde a uma Caminhada

Em 09 de Agosto de 2009, comemoramos a nossa chegada à Corga da Vagem com um aperitivo que estava guardado nesta garrafinha, deixada enterrada no lamaçal da nascente desde o ano anterior, pelo António.



Uma garrafinha de plástico que continha o saboroso néctar que o António tinha deixado na lama da fonte da Corga da Vagem, em 2008

O Ricard da garrafinha de plástico, saltou para os copos de plástico, uma das características da nossa civilização industrial e, depois, a mistura da água gelada e ei-lo pronto a descer pelos nossos gasganetes para empulgar a nossa animação




Os copos que estão a levar o ricard e depois a água gelada, proporções de 2 para 10 e, de seguida, ele aí vai

Hoje, sou eu que, faço um brinde solitário, àquela nossa bela caminhada, e aos meus amigos, Luis, António e Zé Manel, recordando-me, a mim mesmo, que vale sempre a pena brindar à amizade, nem que seja só. 


Um copo de ricard, em honra de vocês os três e, também  de toda a malta de Adrão que está espalhada pelo mundo. Creio que, agora, já voltamos a estar juntos.

Para todos vós, um BOM ANO de 2010.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

O Charco ...

... fonte de vida.

Num charco, ou nos lamaçais à sua volta, há sempre vida. Vida que às vezes nos faz confusão.

Se nós sabemos que numa determinada nascente e nos charcos que a rodeiam há muitos bichinhos de várias espécies que aparecem por lá durante parte da primavera e pelo verão dentro, também sabemos que, a partir das primeiras chuvadas do outono e, depois, pelo inverno até à próxima primavera, tudo em volta nos sugere que a força das águas que nasce ali, mais as águas que escorrem pelas montanhas que chegam a formar pequenas correntes de limpeza em certos sítios, acabam por limpar tudo que por ali se acumulou, nascendo e morrendo durante os tempos de bonança.

Dá a impressão que, micróbios, insectos aquáticos e aéreos, sanguessugas, escaravelhos da água e outros, tudo foi limpo e nada ficou para renascer durante os tempos de renovação da vida. Mas, na verdade, ao voltarmos lá, encontramos tudo renovado!

Normalmente, é assim em todas essas fontes de vida, como em tudo, umas melhores que outras. A não ser que seja a secura definitiva como na Senhora do Lago!

Por isso, ficamos contentes ao rever a mesma bicharada do ano anterior. Lá estão as minhocas, as sanguessugas, as libelinhas, as borboletas, as rãs, os escaravelhos ... Tudo o que se renova, dentro e fora do charco.

Durante as minhas caminhadas, tenho encontrado vários charcos de vida que me prendem por ali, em volta, durante bons pedaços dessas caminhadas. Mas nunca esqueço os charcos que encontrei pelas montanhas daquela velha Vila Cabral, a actual Lichinga uma cidade, em Moçambique.

Uma vez, numa dessas caminhadas, encontrei umas nascentes como aquelas que existem na serra de Soajo, na Corga da Vagem, junto da Pedrada. A zona era grande, a água nascia e entrava por baixo de espaços de poulos, voltando a aparecer, depois escondia-se e voltava a aparecer novamente e assim por diante. E eu observava o espaço e só me lembrava da Corga da Vagem .

Enquanto eu esmioçava tudo aquilo à minha volta e apreciava a paisagem, lembrei-me que seria um bom local para as gibóias andarem por ali. De repente, vi o Goldfinger aflito a tentar desenvencilhar-se de um bicho e, nesse momento, eu só me lembrava que uma cobra veneosa, uma mamba, por exemplo, estivesse a atacar o cão ou, mesmo um escorpião o tivesse picado, porque o chinfrim do cão era grande. Meti o "turbo" e corri até ao Goldfinger e, ao chegar junto dele, fiquei contente e estupefacto com o que via. Contente porque o grande companheiro das minhas caminhadas não corria qualquer perigo e estupefacto porque, as carcaças que eu encontrava por ali de bivaves e de caranguejos, que mais me pareciam dos tempos do Terciário, me mostravam que, afinal, pelo menos o caranguejo era uma viva realidade. 

Um estranho caranguejo tinha-se agarrado ao focinho do cão porque este, atrevidamente e, se calhar, tão estupefacto como eu, terá ido meter o nariz onde não fora chamado!

O Goldfinger, quiz apreciar, bem de perto o que aquela coisa estranha faria por ali, a cerca de 600 kms do mar e entre 1.100-1.300 metros do nível do mar. Ora, encontrar caranguejos naquelas condições, foi para mim um fenómeno intrincado e, mais ainda, quando ninguém acreditou na minha história. Mas tudo bem!



Olhem o jeitaço!

Eu também achei intrincada a busca destes amigos, que para mim seria de minhocas, mas longe da fonte de pesca, embora haja (havia)  vogas na Seida, seria pouco provável. Minérios, seria outra probabilidade. Tudo menos petróleo!

Mas, afinal, o que eles procuravam era uma garrafinha de vinho que deixaram lá no ano anterior a refrescar para, no regresso, apreciarem uma bela pomada fresquinha que os lamaçais das minhas montanhas lindas tão bem sabem preparar. Por isso, vamos saber esquecer os minérios e saber lembrar que, o retorno de uma caminhada poderá não vir a ser o adequado.

Ainda me lembro da azáfama que tivémos, eu e o Luis, com o Jack, em Agosto de 2006. Ele estava estoirado da noitada anterior porque se deitou acerca de duas horas antes de se levantar para irmos até à serra. Eu levantei-me caladinho para ele não acordar e, quando preparava o meu pequeno almoço para comer e partir sózinho, apareceu ele na cozinha. "Que vou comer eu"? Eu disse-lhe para se ir deitar que não queria arrastões atrás de mim, mas ele teimou e quiz ir. Depois da pedalada até à Corga da Vagem, encheu-se de coragem e pediu-nos para prosseguirmos viagem ao Fojo do Lobo e à Pedrada que ele esperava ali por nós pois já estava cansado.

Ficou ali mas levou as garrafas para colocar naquele belo refrigerador natural. A fonte da Corga da Vagem.



Tanto quanto sei, esta nascente nunca seca. Lá em cima a nascente das Forcadas nasce e corre para o lado de lá e a nascente da Corga da Vagem nasce no meio das urzes, e corre para o lado de cá


Isto é que foi dormir! Mas será a 2ª caminhada à serra de seus pais, que nunca mais vai esquecer. Na primeira foi sempre a dançar o Fire Inside

Apontamos-lhe o local da nascente, nós tínhamos passado ao lado, e ficava atrás de nós, do nosso lado, junto às urzes que tinham escapado ao incêndio. Ele assenou que sim com a cabeça e lá foi. Bem me pareceu que ele já não nos ouvira. Foi para trás, passou a corga para o lado de lá, atirou com as garrafas para a água, estendeu-se no poulo e adormeceu. Quando chegamos, o Luis foi direito à fonte e eu desloquei-me para a esquerda onde ele dormia profundamente. Não houve grito nem assobio que o acordasse, só mesmo quando lhe dei um chuto nos ténis ele acordou.

Olhei a nascente, lá em baixo, do lado contrário, e perguntei-lhe o que fez às garrafas, pois não as via. Que fizeste às garrafas Jack? "Metias no rio, como disseram"! Eu olhava para o "rio", a Corga da Vagem, e nada! Lá demos com as garrafas e levá-mo-las para a nascente e pouco faltou para o Luis se antecipar na prospecção do tal minério que ainda não tinha chegado. Ele levava uma grande fézada naquela garrafinha de vinho verde, fresquinho, de Ponte da Barca.

Ali, dentro de alguns minutos, já estavam geladinhas e aí almoçamos.

Talvez, muitos de vós não saibais que, há momentos na vida dos caminhantes que vale mais uma garrafinha de qualquer coisa bevível do que um poço de petróleo. Quem nasce nos States dos Bushs e dos Obamas, nunca chega a perceber nada sobre as minhas Montanhas Lindas, mas tanto quanto sei, todos ficam deslumbrados!