Rojões na serra de Spajo

Rojões na serra de Soajo

Vejam estes golosos a comer rojões assados na serra mais linda do mundo - a serra de Soajo Assar rojões na serra de Soajo, nos braseiros dos...

domingo, 28 de junho de 2009

Alex e Tina, em Soajo

No dia de Santo António, o Alex e a Tina, depois de caminharem apressadamente por Arcos de Valdevez e de renovar energias no restaurante "o Lagar", aventuraram-se a uma curta passagem por Soajo, para afagarem os seus olhos com uma pequena olhada pelas fraldas das minhas Montanhas Lindas. Para isso, subiram até ao Mesio, observando os montes que sobem dos arcos, sustentando a Pedrada desse lado. Ao passar o Mesio, eles terão olhado à sua direita o monte Gião e, então, foram escorregando até Soajo!

Uma bela placa a enunciar Soajo

Claro que, tiveram, tal como todos os turistas apressados, além de darem uma pequena olhada pelas fraldas dos montes da serra de Soajo, de dar, também, uma olhada simbólica pelos espigueiros, os famosos espigueiros de Soajo, não só pelos espigueiros em si, mas porque se encontram integrados naquela célebre eira comunitária e, no seu conjunto, eles são um belo monumento integrado em toda essa beleza.


Os espigueiros de Soajo



A imagem deste espigueiro é tão imponente como as próprias espigas de milho que guarda e que simbolizam a própria vida das gentes das aldeias do Norte

Mas eles não se esqueceram que, um dia, na escola ao lado dos espigueiros, a escola de Soajo, eu desci das minhas Montanhas Lindas para ali enfrentar os professores "papões" que colocariam raposas às costas dos putos "burros" de Adrão.

Mas não foi assim!

Por dois anos consecutivos, eu achei-me em condições de surpreender os de Soajo, com as minhas habilidades do a, e, i, o, u e do 1, 2, 3, 4 ...!



A Escola de Soajo. Olhando esta porta, deixo aqui a minha homenagem a todos os professores que nela entraram, de Soajo, os do meu tempo e especialmente ao Professor Enes que me fez a 4ª Classe, em Arcos de valdevez. Era o Chefe do Júri e sei que gostou do meu "show", ao fugir com a mão da professora (quando entendeu dar-me uma ajuda no mapa), e dizer-lhe: "deixe lá que eu sei isso tudo"!


Até parce que a escola presta a sua homenagem aos espigueiros!


Soajo é uma aldeia airosa, tal como os seus espigueiros

Na 3ª Classe, foi um professor de Soajo a Adrão, à nossa escolinha do Senhor da Paz, para nos fazer esse  célebre exame e, na 4ª Classe, tive de me deslocar aos Arcos de valdevez, onde ainda não haviam as estátuas dos Afonsos, montados em cavalos mancos, mas muitas novidades para os dois putos descidos da serra.

Mas eu quero escrever ou falar aqui (imaginem que sim), para o Alex e a Tina e outros que venham a ler, da Portela do Galo e do Curral Coberto.



Foi debaixo de um destes espigueiros que eu comi a minha sandes de presunto e bebi o meu pirolito nos dois anos que lá me desloquei, à escola

Vêm esses montes na foto de baixo? No lado direiro, fica a Portela do Galo e, no centro, fica o Curral Coberto. Era por aí que se caminhava entre os Poços, em Paradela, e a Assureira, uma das duas Brandas de Adrão. Era por aí que transportávamos, às costas, as uvas para o Lagar da Assureira e eu, ainda pequenino, já tinha de caminhar, ao lado dos grandes, com uma cesta de uvas aos ombros. Ali não havia tempo para o lazer! Por isso eu digo a todos que, lá por Adrão, já trabalhávamos desde que acabávamos de nascer, na mesma altura que começávamos a beber vinho! Só que eu dizia que, para beber vinho era preciso estar bem vivo e com tamanho carrego, certamente o vinho não me serviria grande coisa. Por isso, o ideal seria deixar ficar parte das uvas pelo caminho!


Os montes, em frente, da direita para a esquerda, são a Portela do galo e o Curral Coberto, a caminho da Assureira

Olha as uvas, Ventor! Tu vais muito depressa e as uvas saltam fora da cesta! Não quero saber das uvas, enchemos a cesta de mais.

Claro! Subir todo aquele monte, desde os poços, até à Portela do Galo e carregados, era obra! Depois, era sempre em frente ou a descer e sabia bem ver as uvas descarregadas dentro daquele grande recipiente de pedra e a prensa de madeira pronta para, com alguma força, descer sobre aquela bela "rosca" de nogueira!

Daqueles montes da Assureira, caminhava, observando os espigueiros de Soajo, tal como um lobo, vai caminhando a observar a sua presa!


Estes espigueiros, eu observava dos montes da Assureira. De muitos locais das minhas Montanhas Lindas

11 comentários:

  1. Oi Amigo! Gostei muito de ler e ver este teu post , falando do nosso passeio pelas tuas terras minhotas, tão lindas! Obrigado pelo que escreveste, por tudo quando dás a conhecer ao mundo, do nosso Portugal, que tem coisas tão bonitas de serem vistas. Continua sempre a fazê-lo. Bem hajas por isso! Um grande abraço do teu amigo Alex .

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  2. Olá Luís! Obrigada pelo post que fizeste, falando do nosso passeio às tuas terras lindas! Mas que encantadoras são as histórias que nos contas por aqui, da tua infância, da tua vida, das tuas raízes! Já tinha conhecimento delas, pois, já me tinhas contado. Mas, qualquer um ficará maravilhado com tudo o que postaste, tanto em palavras, como em fotos. Sabes, tão bem escrever!....Levas-nos a ser também protagonistas vivos de todas as tuas histórias ... Relatas tudo duma forma tão simples e tão real, que ficamos completamente absortos e esquecemos tudo o que nos rodeia. Quero voltar àqueles lugares, brevemente, pois, digo-te, que adorei bastante andar por lá. Pena ter sido pouco tempo e não ter podido ver tudo o que me falavas poder visitar. Prometo que, se não puderes ser nosso cicerone, iremos mesmo sozinhos e, à distância, lá nos vais orientado , como o fizeste agora (se permitires, não é?) Bem hajas pelas tuas histórias, pelo que nos mostras, pela tua simplicidade, pelo teu valor grande de homem que és!....Por não esconderes as tuas raízes e saberes orgulhar-te do que foste! Isso, fez seres o HOMEM que és hoje, sabias? Continua, meu amigo! Beijinhos.

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  3. OBRIGADO AOS AMIGOS PELO REJUVENESCIMENTO DA NOSSA AMIZADE, DO ESPÍRITO, E DESTE "PORTUGAL", LEMBRADO POR QUEM O AMA.
    BJS
    MENA RUI

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  4. ainda não tinha lido toda a história.parabéns pela forma como descreves os acontecimentos. dá uma imagem "bem fresca" na nossa cabeça.
    trabahlaste que nem um "mouro"....deve ter sido para ti um desgosto teres de "partir" da terra que tanto amas....mas a vida é assim....
    um abraço á gi e para ti

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  5. Tu não querias trazer uvas nenhumas, já querias ser grande , porque o que nem todos sabem, é que não importa qual o carreto; nas nossas aldeias, isso era trabalho de mulher e os rapazinhos ,detestavam que lhes pusessem qualquer coisa às costas. Os rapazinhos o trabalho deles era apascentar o gado; francamente o cajado não pesava muito. Tu querias vir para a brincadeira para o eirado, diz là! Nao era fàcil ,, foi um tempo maravilhoso ,que deixou inumeras saudades e que relembramos ,com uma grande nostalgia .UM BEIJO

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  6. O que pouca gente sabe, é que esta escola foi oferecida por um SENHOR da freguesia de SOAJO; inclusivo o terreno. A planta foi feita com o dobro da superficie, como ainda ,se pode ver no site de SOAJO , mas a construçao foi reduzida para metade. O benfeitor queria as crianças da freguesia todas escolarizadas em Soajo, pois em Soajo as crianças tinham melhores professores.,Mas os soajeiros e a ditadura dicidiram outro futuro para as crianças dos lugares A IMIGRAçAO. Nos contentavamos-nos das regentes; sabendo estas , pouco mais que nos . Là em cima o SENHOR de VILAR nao deve estar insatisfeito com os miudos dos lugares,; pois estes mostraram-lhe que com a sua inteligencia e coragem chegaram até onde chegaram os diplomados , e muitos ultrapassaram-nos'' (( sem duvida com mais sofrimento ))) Mas o que importa é conseguir,,,, peço desculpa ,mas o meu corrector diz-me que nao encontra erros; até a técnologia falha!!!

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  7. É verdade! Nós os rapazes éramos uns felizardos e os homens uns calões. Uma vez em Moçambique perguntei a um preto se haviam perdizes por ali e ele disse-me que sim. Depois ralhei com ele, se não tinha vergonha de deixar a mulher sachar a machamba e carregar a filhota às costas, enquanto ele ficava deitado a fumar seruma.
    Mas, de repente, lembrei-me de como as mulheres nas nossas aldeias eram escravas e os homens não ligavam. Eu sei que havia distribuição de actividades mas, mesmo assim, os homens eram felizardos.
    Obrigado por relembrares isso. Eu nem me quero debruçar sobre isso que, afinal, toda a gente já sabe.
    Aparece sempre.

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    1. Ainda bem que há alguém que reconhece que as mulheres são umas escravas.
      A mulher é, por natureza, o sexo forte, basta andar os nove meses grávida, muitas vezes a trabalhar, carregando os filhos no ventre.
      Sem as mulheres o homem não conseguia sobreviver, já não se pode dizer do inverso.
      Parabéns.

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  8. tem de haver homem e mulher, senão acabava o mundo. agora sexo forte ou fraco, foi a mulher que deu a "dentadunha" na maçã.....

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    1. Mas não tem puder para escolher o sexo, muito menos as qualidades e defeitos ((DO HOMEM)) que dá à luz?....

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  9. a natureza é que desinga o sexo. quanto a ser forte ou fraco são inovações que em nada beneficia....a dúvida vai-se manter,....

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