Rojões na serra de Spajo

Rojões na serra de Soajo

Vejam estes golosos a comer rojões assados na serra mais linda do mundo - a serra de Soajo Assar rojões na serra de Soajo, nos braseiros dos...

Mostrar mensagens com a etiqueta "senhor da paz". Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta "senhor da paz". Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O Poulo de Eixão, em Adrão

O Poulo de Eixão é aquele poulo que fica entre a "Mansão" do Senhor da Paz e seus arredores, e a aquele edifício em frente que foi a escola do Ventor e dos seus amigos de infância.



De dentro da sua mansão, o Senhor da Paz, escutava-nos, ouvia-nos e, de vista posta no chão, pedia ao Senhor da Esfera para perdoar as asneiras das crianças. Será que ainda nos perdoam os malefícios voluntários ou involuntários que cometemos como homens? (foto da Alice)

Era esse o espaço das nossas brincadeiras, um espaço aberto, onde corríamos sem rédeas, tal como os potros fazem hoje e protegidos pelas suas mães.

Ali, nas nossas correrias, com ou sem bola, só era proibido dizer asneiras. A liberdade, durante o recreio, era total. Creio que, pelo menos, no que me diz respeito, as paisagens nunca eram demais! Estávamos cercados por muralhas quase indestrutíveis. Digo quase, porque, nada é perene. As transformações são constantes e, à escala geológica, tudo se transforma. Quando tiro fotos dos lados do Gondomil para o Alto da Derrilheira, depois do fogo de Agosto de 2006, noto que a Derrilheira está a assapar, notam-se fracturas no monte. E se vermos uma foto a apanhar a Naia, o Muranho, a Derrilheira e a Serrinha, verificamos que o Poulo do Muranho, onde assentam os Cortelhos de nossos antepassados, é uma escorregadela da "cela" existente entre a Derrilheira e a Serrinha.

Mas isto é para os geólogos, só que os geólogos não irão lá!

Para mim, esquecendo essas nuances geológicas, além do Senhor da Paz, da Escola, do poulo que nos servia de recreio, das montanhas que nos cercavam, tenho lá outro Monumento (com letra grande). É o Carvalho de Eixão!

Este carvalho foi sempre um fenómeno para mim e tenho a certeza que os lobos que avançavam pelo Alto do Lombo abaixo ou vinham desde os montes de Bordença, aproveitavam para levantar a perna, olhá-lo de noite, contra o firmamento e perguntar-lhe: "olá, velhote! Conheceste o meu avô"? E o carvalho só diria: "se me pudesse mexer, levavas com uma ramada em cima. Desanda daqui, seu porco"!

Esta seria a primazia das palavras entre os carvalhos e os lobos e o carvalho de Eixão, estaria sujeito ao mesmo.



Também, neste sítio, em tempo de neve, com as orelhas, o nariz e os dedos da mão a cair, tínhamos a ajuda do Senhor da Paz para todas as nossas brincadeiras. No centro da foto, à direita, o Carvalho de Eixão, despido. (foto do meu amigo Belmiro Xavier, de Braga, um "amante" das nossas Montanhas Lindas, que me presenteou com fotos de Adrão cheio de neve)

Mas, pelas poucas vezes que caminhava pela Branda de Bordença (prefiro branda, a veranda ou varanda), via as pessoas que acabavam de meter as rezes, caminharem em direcção ao Eido e fazer uma espera pelas pessoas amigas que ficavam para trás, para irem para o eido juntos. Faziam uns grupinhos que, chegando ali pelo cemitério, desafiavam, nas suas cantorias, a malta que, igualmente se dirigiam da Assureira para o Eido. Eu recordo-me que agradecia ao Senhor da Paz, quando passava à frente da Sua Porta, por ter feito, junto do Senhor a Esfera, com que tudo tivesse corrido bem.

Lembro-me de alguém de Adrão (já junto do Senhor da Esfera) que, vindo a cavalo de Soajo, de um dos famosos "primeiros", já de noite e com um grãozinho na "asa", me dizer que lhe aparecera o diabo junto ao Carvalho de Eixão e que se viu aflito para segurar a égua e que, depois, junto ao cemitério, a égua se chateou outra vez e acabou por o deixar só, tendo de ir desde o cemitério a pé para casa, porque alguém lhe espantara a égua!

Muitas histórinhas teria o Carvalho de Eixão para nos contar se nós estivéssemos no tempo em que as árvores falavam!

Mas sei que quando vi essa foto do Senhor da Paz, no seu andor, a passear pelo nosso poulo ou terreiro, ele também me olhou e disse: "olá, Ventor"!

sexta-feira, 4 de agosto de 2006

Adrão - A Minha Escola

Com fotos da minha máquina velhinha.

 Esta era a minha escola e nesta parede, em baixo, ainda se vê encravado na parede o local que serviu de porta por onde eu entrava na minha escola do Senhor da Paz, no Poulo de Eixão. Faltam lá os degraus por onde subíamos para este Templo da Sabedoria. Devem ser os mesmos que servem, actualmente, a porta do lado contrário.

A porta por onde nunca mais entrarei 

Por aqui, as traseiras em relação ao Senhor da Paz, era a entrada e do lado contrário ficavam as duas janelas e a porta da corte das vacas do ti João Chica.

Há dias, estive frente a esta porta, só eu e ela, a matarmos saudades. Eu ouvia os meus companheiros de caminhada de então em correria escada acima e escada abaixo. Olhava as suas caras, os seus olhos os seus cabelos tal como se estivesse a viver 50 anos antes. As  imagens, de grande maioria deles, estão comigo encostadas num pequeno local do meu universo. Ainda ouço as suas vozes, os seus gritos, os seus choros. A maioria nunca mais nos voltamos a ver!

Carvalho de Eixão

Das nossas janelas, espreitávamos o Carvalho de Eixão, que já na altura, há 45 anos, tinha o mesmo formato e robustez de hoje. Já se dizia então, quando alguém atingia uma proveta idade, que estava a ficar tão velho como o carvalho de Eixão.

A minha escola agora vista de frente para o Senhor da Paz

A porta de cima e as escadas não existiam então, deste lado, apenas existiam as janela por onde espreitávamos o carvalho, o Senhor da Paz e as minhas Montanhas. Por baixo havia a entrada para a corte. Essa árvore e os bancos não existiam e o Poulo de Eixão onde jogávamos a bola e fazíamos outras brincdeiras era puro e sem intervenção humana como hoje.

Aqui mora o Senhor da Paz

O muro de então era apenas a parte velha da esquerda. A parte direita já é uma modernice. Ali, no muro velho, frente ao Senhor da Paz, tínhamos um pau que colocávamos sobre o muro, onde fazíamos o nosso Balancé e onde um companheiro nosso ia morrendo, mas o Senhor da Paz não o permitiu. (Olá Pequeno!).