Quando as nuvens cobrem os montes, Adrão é lavada em dilúvios. Todas as montanhas escorricham águas e todos os vales são transformados. A orquestra musical absorve todos os outros barulhos e a sinfonia torna-se perfeita. Aquele pequeno ribeiro, para mim um grande rio, será, certamente, dos mais barulhentos do Mundo.
Se alguém quiser ouvir a mais bela sinfonia de águas, terá de passar em Adrão num dia de inverno, ou então, caminhar nas margens do Arinsal, em Andorra, depois de um nevão num mês de Julho. O rio Arinsal, o afluente do rio Valira, em Andorra, foi o único cuja sinfonia se assemelhou ao meu rio. Numa tarde de Julho, a quietude das águas faz-nos lembrar o paraíso. Depois de um nevão caído pela noite dentro, as águas aumentaram de intensidade e eu fui embalado numa sinfoniia de sonhos. Voltei a ouvir, lá longe, a mesma sinfonia das águas do meu rio.
Adrão cercado nas altas montanhas pelas fadas de Neptuno
Mas o meu rio, o rio da minha gotinha, torna-se tão grande que por vezes parece aquilo que no espaço chamam buraco negro. É um grande buraco negro de águas em remoinho.
A minha ponte


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