Rojões na serra de Spajo

Rojões na serra de Soajo

Vejam estes golosos a comer rojões assados na serra mais linda do mundo - a serra de Soajo Assar rojões na serra de Soajo, nos braseiros dos...

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

À Conquista de Soajo

À conquista de Soajo, ao redor de Adrão mas, longe da Pedrada!


A Casa do Souto, em Soajo

Longe da Pedrada, longe das minhas fontes, nas alturas. Da Fonte da Naia, da Fonte do Muranho, da Fonte da Corga da Vagem, das minhas alcatifas preferidas!

Sempre achei que as minhas alcatifas preferidas, são aquelas que são constituídas pelas carrascas floridas, pintadas de rosa, pelas carquejas, pelos fetos verdes, pelas ervas que dão ânimo às rainhas das montanhas, pelas urzes ...

Tão perto e tão longe de tudo!



A Casa do Souto, em Soajo

Mas não foi chita!

Estive nas Fontes, na minha Parnaso!

Ali, mais uma vez, só eu, o meu Quico e as Ninfas das Fontes. Ali, como em todos os pontos das minhas Montanhas Lindas, sinto-me sempre acompanhado! Apenas, uma égua garrana e o seu filhote, mais um ou uma companheira das suas caminhadas e duas vacas que rumavam à Cascalheira, comendo e, mais um ou outro pássaro, os meus companheiros chascos, eram os únicos seres vivos que fizeram companhia, naquela jornada, ao Ventor.



Uma bota galega para transportar bebidas, a botelha galega

Vi Adrão da Barreira para baixo, vi Adrão da estrada para a Peneda e depois para Paradela e, no último dia, vi Adrão enquanto descíamos a Quelha da Costa até ao sítio da volta. Olhei os caniços, a velha latada e, lá mais longe, observei a Coroa dos meus amigos Caturnos, o Marco d'Além, o Gondomil, observei a zona da Corga Grande, o Penedo do Osso, o Picoto, a Férrea, cumprimentamos a Teresa do Valente e, sem mais, desisti de atravessar o Cabo do Eido, de olhar a janela dos meus sonhos, atravessar o Eirado, em frente da nossa Capela, dirigir-me para Outeiros ou para a ponte, seguir pelo Carril até ao Portinho d'Além e, observar as libelinhas sobre as águas do rio a dançarem para mim.



Uma cabaça de Soajo, para transportar bebidas. Bem mais frágil que "la botelha galega"

Já passeei por Adrão, de noite, sonhando, numa noite de chumbo com o meu cavalo Antar, sem ver ninguém. Só no fim, num retorno apressado e barulhento desde o Carril, as pessoas, talvez por receio, fizeram ranger as portas nos gonzos e acabei por ver nitidamente o meu pai, a minha mãe e algumas pessoas a caminharem para mim mas que não deu para as identificar! Desta vez, bem acordado, com o coração a pulsar, deixei na Teresa do Valente, a mãe dos filhos do meu primo Diogo, o beijo que partilhará, mesmo que não o saiba, com toda a gente de Adrão. Foi uma mensagem, ... de um sonho. Sim, porque também concretizei um sonho! O sonho de ver uma das suas filhotas, a Rosa, que já não via há muitos anos, devido a andarmos perdidos pelos cantos dos nossos mundos.


Canastros de Soajo ou espigueiros, vistos da casa do Souto

Mas, o fenómeno persiste! Caminhar em redor das minhas Montanhas Lindas e sonhar! Sonhar com realidades passadas, sonhar com possibilidades de realidades futuras, sonhar sempre com a minha gente, com os meus sítios, ...

Mas olhei a Senhora da Peneda, em Soajo, na festa de Nossa Senhora das Dores, vi o Seu casarão, na Peneda, comi o bacalhau com broa, no Miradouro, em Castro Laboreiro.



A mó invertida de um moinho, para servir de mesa, para os grelhados

Continuo a ver Paradela de passagem pela estrada ou de Lindoso, passei pela Várzea, pela Ponte da Barca, pela Senhora da Paz, pelos Arcos, ... ao lado dos Malinos, com o ribombar dos seus bombos, os acordes das suas concertinas, tudo isto porque nos Arcos também havia festa e, tudo terminou depressa!

No regresso, almocei cabrito, em Ponte de Lima, lanchei pão-de-ló, em Arouca, subimos à serra da Freita que atravessamos fazendo passear os nossos olhos pelas suas paisagens deslumbrantes, a perder de vista e, pelos seus céus, sobre as nossas cabeças, passeou uma águia que, procurando lanche, apressadamente, cumprimentou o Ventor. Prosseguimos até ao local da frecha da Mizarela, onde as águas que rolavam, em precipício, lançando-se das alturas, sobre o rio Caima, gritavam, saudando o Ventor.



Uma poupa, companheira de uma caminhada disparatada do Ventor, que pretendia ir a pé para Adrão. A poupa bem avisou o Ventor! Com esta canícula, sem água, sem chapéu, sem caminhos, sem cajado, seria um disparate, porque o Ventor tentou fazer a encosta, frente à Açoreira! A poupa era penteada pelos pinheiros e o Ventor pelas giestas

Mas, desta vez, a beleza de Soajo, permaneceu a meu lado, pelo cair da noite e pela chegada da alvorada, por terras do Souto, com os cânticos dos pássaros. Dali, rolando rumo ao Mesio, a Adrão, os girassóis sorrindo ao sol da manhã, se perfilavam, saudando Apolo e Ventor que, mais uma vez, se encontravam juntos em redor das suas Montanhas Lindas.

Nessa caminhada de seis dias, por Soajo, sob as suas latadas, recordo-me que não "roubei", aos soajeiros, um único bago de uvas para matar saudades. Para mim, foi como se, quando entrei na noite de sábado, na Igreja de Soajo, bem como no domingo de manhã, não tivesse visto perfilados, de ambos os lados, todos os santos que, conjuntamente, com a Senhora das Dores, iriam participar na sua festa.


Mas, depois de um  bacalhau com broa, em Castro Laboreiro, matei a sede, na nascente das Fontes

Eu sei, eu sei! Não precisava de ser tão puritano. Não seria pecado tirar um bago de uvas para provar as uvas das velhas latadas de Soajo. Mas caminhei por Soajo, na sua conquista. Talvez melhor, reconquista!

4 comentários:

  1. Poderá não ter sido a caminhada que sonhou, mas foi uma boa caminhada!

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    1. Todas as caminhadas são boas. Bastou-me ver tanta andorinha, a poupa e ter feito a caminhada dos corvos que me levaram rumo à estrada de Entre-os-Outeiros, ter de fazer o corta-mato rumo às ínsuas de Soajo, driblar para a "encosta das vacas", creio ser assim que lhe chamam, para ver a Açoreira do lado de cá, para tudo correr bem. Além disso, vi buracos de trogloditas, cortelhos sob a terra, como vi em Marrupa. Só que, em Marrupa, esses buracos eram habitados por pessoas e, em Soajo, são a protecção das rainhas da montanha, na luta contra as moscas.
      Claro que houve algo que não me agradou! Foram os rotores da minha máquina a trabalharem a quase 200 à hora mas, esse foi o problema negativo. Para além disso, o penteado que as giestas me fizeram, já mo fizeram em vários sítios, inclusivé, na Açoreira e tal como na Açoreira fizeram-me caminhar junto às suas raízes.
      Mas a caminhada foi boa! Nunca pensei vir a conhecer o Areiro como um Purgatório. Até nisso, valeu a pena. Voltei a experimentar, por Soajo, uma caminhada como as que fiz em Marrupa, em Vila cabral e em Nova Freixo.
      Foi tudo bom!

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    2. Pois eu também gostei muito, gostei de conhecer o interior do Soajo, que não conhecia apesar de já lá ter ido tantas vezes, gostei da família do sr. João, da mulher , da filha e da neta em especial, boa gente. Havemos de lá voltar.

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  2. Lindo este teu passeio...vosso passeio.. E visitaste Arouca... Serra da Freita, tão pertinho de nós... Pena não estarmos aqui...!
    Como sempre, viajei ao sabor de tuas palavras, visitei todos estes lugares que trouxeste, através de tua objetiva... LINDO o passeio!
    Bonita esta poupa... conseguiste que ela te dissesse um Olá amigo, por aqui? :-)
    Parabéns pelo post e folgo em saber que tudo correu bem...
    Beijinhos a todos em casa!
    Abraço do Alex!

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