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sexta-feira, 9 de julho de 2010

Adrão, chora!

Adrão é um lugar  que continua a ficar sem aqueles que o amam, ou que o amaram. Um após outro, todos vamos partindo e um após outro, vamos chorando por aqueles que nos vão deixando; a nós e ao lugar que nos viu nascer.

Adrão, encravado nas montanhas, no caminho da Senhora da Peneda, vê os seus filhos partir e chegar, como todos os lugares deste país, perdidos por aí. Eu sou dos muitos que partiram e só regressam para chorar. Se não for para chorar, haverá os que regressam para beijar uma última vez a terra onde, em tempos, viram a luz, e será nessa luz que querem ficar para a eternidade.

É assim com todos ou quase todos. Desta vez foi assim com o ti Joaquim da Chica, um amigo. Um amigo de Adrão e um amigo do Ventor. Soube há pouco, por um telefonema de França, de Paris que, hoje, o ti Joaquim da Chica, o meu amigo Joaquim de Barros, nos deixou para sempre e foi em Adrão que quis que os seus ossos ficassem, também, para sempre.

Há muita gente de Adrão que tem partido e eu só tenho conhecimento quando entro no Cemitério. Neste caso morreu um amigo e outro me deu a notícia da tristeza.

Um dia, esse homem, pediu-me para levar para Adrão o projecto da sua futura casa. Eu, era um puto que sonhava com o mundo e, ele, o homem que sonhava com Adrão. Com o regresso!

"Olha, Ventor, Adrão não pode dar de comer a toda a sua gente, por isso fugimos! Viramos-lhe as costas, mas temos sempre vontade de regressar. Esse projecto é o projecto da minha casa onde, um dia, espero viver os últimos anos da minha vida. Sim, porque nós partimos, mas regressamos sempre. É uma terra que não nos mata a fome, mas que nos dá uma pujança enorme ao nosso coração. A pujança da saudade"!

Foi mais ou menos isto.

A última conversa que tivemos foi, já há meia dúzia de anos, debaixo do Carvalho de Eixão, onde eu estava numa sardinhada, e ele de pau na mão se aproximou a olhar-me e pronto para mais uns dedos de conversa. A nossa última conversa.

Há três dias, ele enviou-me a mensagem de que iria partir, pois eu fiquei grande parte da noite a pensar nele, na sua saúde e na velhice e tive saudades de falar com ele. Pensei que, talvez, este verão, o visse pela sua casa de Adrão e ainda conseguíssemos ter mais dois dedos de conversa. Dois três dias para a notícia de que ele nos deixara para sempre.

Até um dia, ti Joaquim!

Para toda a sua família, deixo aqui os meus sinceros pêsames.

3 comentários:

  1. ola luis eu sou rosa filha do teu primo diogo gosto muito da tua pagina

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    1. Olá, Rosa!
      Não vos vejo desde pequenos a ti , à tua irmã e ao teu irmão. Nunca mais vos vi, por isso, foi uma surpresa muito agradável encontrar aqui o teu comentário. Agora, quando vou a Adrão, nem sempre vejo a tua mãe, porque vou direito à ponte, sigo pelo carril até ao rio D'Além e regresso, sempre a tirar fotos. Como deixo o carro à porta da vossa casa, lá sigo eu o meu rumo e a tua mãe anda sempre a fazer qualquer coisa lá pelas lavouras. Por isso, às vezes não a vejo e fico sempre a pensar que volto a passar por lá mas, como digo no meu post, só vou a Adrão para chorar. Chorar silenciosamente, para que as almas da nossa gente não vejam!
      Mas eles sabem que eu os adoro a todos. Vai ao meu Perfil e vê lá o e-mail por onde me podes contactar, ok? Eu vou ficar à espera. Se este verão for lá, já disse ao Luís Perricho, ontem à noite, que vamos à Pedrada, mas subimos pelo Rio da Fraga. Acredito ser um sítio por onde nunca ninguém passou!
      Vai aparecendo, ok?
      Um abraço ao teu irmão e beijinhos para ti e à tua irmã.
      Bjs.

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  2. Obrigado Quico por esta homenagem ao meu sogro.

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