... na morte do Quico.
Sentimos tanto a tua falta Quiquinho!
As Montanhas de Adrão choram por ti e por nós!
Eu fiquei sem o meu melhor amigo, a Dona ficou sem o seu Príncipe.
O meu Quico morreu no dia 24 de Setembro de 2009 às 07:20 horas. Levei-o e enterrei-o, a 470 Kms, nas nossas Montanhas Lindas.
O Sonho!
O último sonho do Ventor a que o meu Quico assistiu, mas que, infelizmente para mim, já não vos vai contar.
Uma das muitas alegrias que o Quico nos proporcionou. Chateado, mas colaborante, quando a Dona disse que o ia vestir à homem
Há cerca de um mês, talvez mais, ele ficou doente. Sem apetite, mas lá ia lambuzando isto ou aquilo. De repente ficou com falta de ar e, como o Veterinário dele estava de férias, levámo-lo a uma outra clínica, onde fez vários exames: análises e chapas. As análises denunciavam problemas no fígado e as chapas manchas negras nos pulmões. Dei-lhe os medicamentos que foram prescritos e ele não melhorou nada. Quando veio o Veterináro dele, já um amigo, levei-o lá e foi, como a Vet anterior, peremptório a acreditar tratar-se de uma pneumonia ou pior.
Mais medicamentos, mas quem não sabe, não acredita como é difícil dar medicamentos a um gato. Tudo isto, sem entrar em pormenores, foi uma tortura, para nós e para ele, durante pouco mais de um mês.
Na noite de 23 para 24 de Setembro, deste 2009, senti que ele estaria muito mal, mais uma vez. Pareceu-me ouvi-lo miar a pedir a minha companhia. Levantei-me e fui para junto dele. Encontrei-o deitado de lado, há entrada da porta da sala com muitas dificuldades em respirar. Já há algumas noites que tinha momentos maus alternados com momentos um pouco melhores. Fui buscar uma das suas mantinhas preferidas, que meti por baixo dele e tapei-o por cima para não arrefecer. Puxei um tapete e outra mantinha para mim mais uma almofada e fiquei ali deitado ao lado dele. Cada vez que o olhava, os seus olhos baços, penetravam nos meus a pedir ajuda. Fazia-lhe festas na cabeça e ele fechava os olhinhos como que a agradecer. Por fim, observando o seu sossego, acabei por adormecer ali no chão.
Nesse pequeno sono, comecei com um pesadelo!
Caminhava nas minhas Montanhas Lindas à procura do meu Quico que tinha desaparecido. Encontrei muita gente que caminhava na minha direcção e à frente deles todas as minhas tias e outras pessoas. Pareceu-me que caminhavam para mim todos os de Adrão juntos do Senhor da Esfera. À frente de toda essa gente a minha tia Joaquina e a minha tia Maria. A seu lado, dois passos atrás, caminhava, olhando-me, de rabo levantado, aquele rabo bonito que ele tinha, todo teso, o meu Quico.
A guerra da caixinha da pomada. A Dona queria tirar-lhe a caixinha da pomada do ventor, mas ele não deixou. Foi uma guerra!
Quando eu fixei os olhos no Quico, fiquei muito contente por o ver, tão contente que parecia ter redescoberto todas as belezas deste mundo. A minha tia Joaquina, tão real como ela sempre foi, levantou o braço e disse-me falando alto: "deixa o gato connosco Ventor! Vai-te embora Ventor, deixa o gato! O gato fica connosco"! Ora ela nunca conheceu o gato!
Nesse momento, o meu Quico já moribundo, levantou-se, foi contra a ombreira da porta, deu mais duas passadas, bateu na cómoda do Hall e caiu, ficando encostado à minha perna esquerda. Acordei com ele a olhar-me fixamente! Voltou a levantar-se e caíu duas vezes antes de chegar debaixo da cama da "avó" dos seus amigos e também dele. Fui lá fazer-lhe festas olhando-o e acariciando-o, chorei imenso porque a minha esperança era ali que terminava. Ele precisava de ajuda e eu não tinha como ajudá-lo. Estive ali algum tempo. Por fim, sossegou mais um pouco e eu aproveitei par ir tomar duche e ia pensando no meu sonho. Ao sair da casa de banho espreitei-o e os olhos dele pareciam duas lanterninhas vermelhas a olhar-me. Fui lá fazer-lhe mais umas carícias e lá ficou sossegado.
No quarto pensava vestir-me, ir fazer o pequeno almoço e levar a dona à fisioterapia quando ele deu dois mios muito grandes. Voltei a tentar acalmá-lo e ele levantou-se, caíu, tornou a levantar-se, voltou a cair e, ao tornar-se levantar atacou furiosamente o aspirador à dentada e largando-o caíu no chão que tentava morder, mas não agarrava nada. Voltei a passar-lhe a mão pela cabeça a pensar na hipótese de apanhar uma dentada, mas ele olhou-me pela última vez e caíu de bruços no chão, abrindo as patas da frente, uma para cada lado, encostando o peito ao chão, não se mexendo mais. Endireitei-o e escusado será dizer-vos que chorei imenso por aquele meu companheiro de 12 anos. Passaram por mim, por momentos, 12 anos de alegrias imensas e pouco mais de um mês de tristezas.
Depois, chegou a Paz. A sempre tão pretendida Paz, entre beligerantes, mesmo quando afirmam o contrário!
Com ele já morto, recordei o sonho. A minha tia tinha-me pedido, pouco tempo antes, para deixar o gato com eles e para me ir embora!
Por isso, eu fiz 900 Kms para levar o meu gatinho para um dos sítios mais lindos do mundo, as nossas Montanhas Lindas, que ele conhecia do computador, onde apreciava as vacas, os cavalos, as cabras, as ovelhas e outros animais quase como uma pessoa. Ele calculava ao ver-me sempre tão entusiasmado a olhá-las que gostava de partilhar comigo as belezas daquele recanto do Paraíso Terrestre.



Certamente,amigo Ventor, teu Quico estará sendo bem cuidado pelas tias até a tua chegada por lá...Acredito nos sonhos!
ResponderEliminarFiquem bem! Beijinhos para ti e a Gi. Força!
Mesmo um pouquinho doente...quase de olhos cerrados, não quero deixar de te dizer umas palavrinha, meu amigo!
ResponderEliminarComo te disse, os animais têm sentimentos, a maior parte tem mediunidade e o teu gato tinha essa dom que se manifestou por várias vezes, quando tinhas pesadelos e te acordava, com as patinhas.
Eu sei que foi um amigo terno, doce e carinhoso e tiveste durante 12 anos.....Mas, pensa que, em qualquer lugar onde estejas, ele te observa.....Vais sentir, muitas vezes, junto de ti, a sua presença!
Pode haver pessoas que não acreditem que os animais também têm espírito...
Podem até escarnecer de minhas palavras e filosofia de vida...
Não me interessa o que pensam!
Eu acredito na reeencarnação do espírito, acredito no significado dos sonhos, acredito que o espírito de tuas tias ( que está vivo, pois o espírito nunca morre), veio junto de ti ( pois não havia outra forma de o fazer, senão em sonho), pedir-te para fazers o que fizeste ( e bem).
Acredito que, um dia, quando eu partir, meu gatinho e meu cãozinho, bem como meus entes queridos, me esperarão na outra MARGEM.
Há dias, contei-te a história de meu cãozinho, o meu amiguinho de muitos anos.
Meu avô materno viveu a maior parte de sua vida no Brasil e veio cá morrer....
Isto passou-se, era eu ainda solteira.
Tinha ele (meu avô) acabado de partir e minha mãe ficou no sofá sentada a chorar.
Pois, com SENTIMENTOS, como AMOR, com TERNURA, com CARINHO, com a sua forma de comunicar e partilhar connosco sua dor, com toda a doçura do mundo, meu cãozinho pousou suas patinhas no regaço de minha mãe e, a olhá-la, chorou também!
Foi comovente e nunca esqueço esta cena.....
Será que os homens são assim?
Não posso generalizar, mas alguns são tão cruéis!
Meu amigo, espero que as recordações lindas que guardas do teu Quico, dissipem um pouco a saudade que tens e continuarás a ter!
Hoje, mais que ontem, e cada vez mais....não me apetece comer carne de animal.....
Penso demasiado nisso e vou tentar tornar-me vegetariana....
Creio que minha filosofia de vida só se harmonizará quando tomar esta atitude!
Beijinhos a ambos!
Olá velho e querido amigo, acredite que chorei com a sua narrativa da partida do Quico, mas a vida é mesmo assim, quando partem dão-nos um grande desgosto mas anteriormente já nos tinham dado muitas alegrias, pense nessas alegrias
ResponderEliminarSeria bom que todas as pessoas se sentissem assim tristes quando os nossos amigos de quatro patas nos deixam, era um sinal de que o nosso mundo era melhor mas infelizmente à muitos amiguinhos maltratados e abandonados á sua sorte por pessoas que nem merecem ser chamadas de pessoas.
Um abraço velho amigo extensivo á dona do Quico que também deve esta muito triste
Olá velho amigo, inadvertidamente o meu comentário aparece como sendo anónimo, peço desculpas por isso.
ResponderEliminarMuita força e um abraço velho amigo