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Rojões na serra de Soajo

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sexta-feira, 6 de outubro de 2006

Adrão, Outeiros

Adrão era uma aldeia e ainda é, que se subdivide em zonas fulcrais, assim nomeadas. cinco a saber: Cabo do Eido, Eirado, Outeiros, Ponte e Barreira.

De Outeiros tenho apenas uma amostra de fotos. O tempo nunca chega para nada!

Começo por vos apresentar a casa que foi de meus avós paternos, e creio, até, que foi nela que eu nasci, mas se não foi, foi pelo menos aquela onde eu passei os primeiros dias da minha vida. Especialmente com o meu avô. Foram poucos, cerca de dois anos de vida. Ora isso, não dá sequer para vos falar deles. Apenas sei que morreram com uma diferença de dias, um do outro. Nem sei qual morreu primeiro, mas creio que a minha avó não gostou de ficar só. Um dia vou ter tempo para espiolhar tudo isso.


A casa de Outeiros

Era assim que lhe chamávamos quando miúdos. Hoje, essa casa pertence, por herança, a um dos meus primos. Foi na porta da corte, que eu fiz a minha primeira tentaiva de vir a ser um grande comerciante, com apemas cerca de cinco anos.

Andava por ali um ferro-velho a tentar comprar ferros velhos enferrojados e, pelos vistos, um grande sacaninha ou, se calhar, parvo sei lá, que queria comprar ferros, porque tentou levar-me num negóscio escuro.

Encontrou-me a brincar nessa porta e perguntou-me se os meus pais tinham ferros velhos para vender e, ao mesmo tempo, espreitou para dentro da corte. Conseguiu levar as ferragens de um carro de bois e um arado por uns tostões, mas teve azar, porque não sei quem foi, disse-lhe que os ferros eram bons, e perguntou-lhe quem lhos tinha vendido. Ele disse que foi um rapaz, mas teve tanto azar que não havia rapazes na aldeia, àquela hora, com capacidade para lhe venderem ferros e menos ainda ferros em vias de servir, apenas enferrujados mas quase novos. Claro que foi desmascarado e nunca mais voltou a Adrão para comprar ferros!

Rego da água para as lavouras da Veiga  e de Outeiros

Do lado de cá, já com arranjos, fica outra casa que era de um meu tio avô, irmão do meu avô e ...

A tia Piedade

... fui lá encontrar esta senhora, a tia Piedade, uma bela amiga de sempre que me olhava mas não descortinava quem era. Mas dei mais umas passadas e encontrei nas escadas o meu amigo João, seu filho, que veio de França, passar as suas férias como faz habitualmente ao lado da sua mãe e família.


Ao virar da esquina, um pouco mais, fica o rio, de onde é desviada a água

Por baixo desse arco do Triunfo, passa o rego que se dirige para a veiga de Adrão e rega todas as terras por baixo da aldeia e, ...


Este é o caminho de ligação de Outeiros para o Eirado

... ele aí vai, passando por debaixo das casas e voltando a sair do outro lado onde, em tempos, nós quando crianças, esperávamos as crochas dos milhos que colocávamos pelo rego abaixo, desde o rio, e as esperávamos à saída.

No Verão, tempo de rega, era uma das nossas brincadeiras. Quando alguma mulher trazia milhos partidos para os vitelos, nós pediamos-lhe uma crocha e elas já sabiam qual era o objectivo. As melhores crochas eram as acabadas de nascer e começavam a abrir, a desenvolver-se.

8 comentários:

  1. Passei por aqui para expressar o meu agrado em visitar esta interessante e atraente página e desejar bom fim-de-semana. Não resisto e não me canso de visitar este blogue.

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  2. é uma felicidade saber-se onde se nasceu e cresceu, onde se brincou e onde se foi pela primeira vez comerciante...Podem não ser muito confortáveis para as nossas necessidades modernas essas casas de aldeia mas têm um encanto muito especial.

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  3. Quanto a conforto, há o indispensável. Hoje todas as casas têm água, e electricidade. Mas há coisas que deixam muito a desejar, espaço suficiente e WC confortáveis. Não é por acaso que toda a gente, de Adrão tem casa na vila e arredores. Correram mundo à proccura de dinheiro e com esse veio o conforto. Um dia, há muitos anos, levei os planos para uma dessas casas modernas. Hoje é uma bela vivenda e o dono, já ness altura sonhava voltar para o berço. Hoje anda lá a triturar os últimos anos de vida. A minha gente, caminha permanentemente entre Adrão, a América, a França, a Áustrália, .... e os arcos, Viana e outras localidades. Eu apareço por lá sempre que posso, para matar saudades, para caminhar sobre Trilhos da Memória e para os ir vendo e abraçando. Bjs.

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    Respostas
    1. E a maior parte tem casa em Adrao com todo o conforto.........

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  4. Caro Amigo Ventor

    Quanto a conforto, tudo é relativo, o habito faz o monge. A estas gentes tudo serve, porque tudo que têm é conquistado com muito suor, de sol a sol, por isso, tudo tem um valor sentimental que não tem preço. Vivem esquecidos, longes de tudo, mas perto do que o mundo tem de melhor.
    Esquecidos para o bem ou para o mal? Não sei. Mas penso que é preciso lutar contra a desertificação e o centralismo deste país.

    Cumprimentos

    BX

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  5. Não havia fotografias novas, mas não resisto e aprecio, de novo as mesmas, e não me canso perante tante beleza, tanta pureza, onde cada pedra, cada árvore, é um mundo. Das melhores páginas da blogosfera, para mim.

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  6. Olá Amigos!
    Quero vos pedir um favor se for possivel e se souberem. Preciso de uma casa para alugar em Adrão este sáb. 11 Nov para 14 pessoas com cozinha, pode ser duas casas juntas. Se souberem agradeço que me enviem para o meu mail alice.digifrio@hotmail.com
    Obrigado.
    Cunprimentos

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  7. Se não estás a brincar, ão me parece que te safes, lá por Adrão com tanta gente. Aquilo não está fadado para alugar casas. Se fores a Adrão, pergunta pelo Sr Lagartinho que ele aluga, mas não sei se consegue instalar tanta gente. Não tenho o telefone dele. A minha gente debandou toda, tal como eu. Só vamos lá para matar saudades e a maioria vai lá chorar. poucos se divertem! Mas podes tentar a Adere en Soajo ou aqui
    Adere-PG
    Largo da Misericórdia, nº 10
    4980- 613 Ponte da Barca
    PORTUGAL
    Telefone: 00351 258 452250/ 00351 258 452450
    Fax: 00351 258 452450
    e.mail: aderepg@mail.telepac.pt

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