Rojões na serra de Spajo

Rojões na serra de Soajo

Vejam estes golosos a comer rojões assados na serra mais linda do mundo - a serra de Soajo Assar rojões na serra de Soajo, nos braseiros dos...

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domingo, 30 de janeiro de 2011

Em Redor de Adrão

Vou voltar ao Senhor da Paz!

Como todos de Adrão sabemos, o espaço em redor do Senhor da Paz, é um espaço nosso e de todos que por lá queiram caminhar. Lá podem encontrar-se todos os santos que desde miúdo eu ouvia falar. O Senhor da Paz, nossa Senhora das Dores, nossa Senhora da Conceição, nossa Senhora da Peneda, ... enfim, esses e muitos outros.

A minha relação com o Senhor da Esfera e com os seus Santos é óptima. Já com os nossos Padres, não posso dizer o mesmo.


O Senhor da Paz, em Adrão - uma foto da Cristina Capela, que permitiu o seu uso através do Facebook. Deixo-lhe aqui um beijinho. Lamento muito por não conhecer toda a minha gente de Adrão

Sim, porque nossa Senhora das Dores, foi a primeira que observou o Ventor e o levou perante o Senhor da Esfera, quando o Ventor foi baptizado, em Soajo. Mas, só mais tarde, o Ventor se recorda da sua existência. Com cerca de cinco anos, caminhava o Ventor nas rochas da Açoreira, ao descer da Portela para a casa da Açoreira, encantado com as belezas dos gafanhotos - os nossos célebres saltões! Quando eles abriam as asas, o Senhor da Esfera, imediatamente, informava o Ventor que todos nós éramos filhos do Sol. E seremos sempre, enquanto o meu (nosso) amigo Apolo, não se cansar da sua caminhada e continuar a velar por nós.

Um dia, correndo atrás dos gafanhotos, na Açoreira, para os ver voar e observar o colorido das suas asas abertas, dei um pontapé numa pedra e arranquei uma unha. Chorava com as dores e, desencantado com esse mundo rochoso, recordei-me de como era belo o Senhor da Paz, onde julgava eu, não seria tão fácil arrancar uma unha como me tinha acontecido.

A minha irmã, para me calar, disse-me: "está na hora de pedires à nossa Senhora das Dores, de Soajo, para te ajudar e te tirar as dores. Foi o que eu fiz. No meio da minha lamúria, recorri à Senhora das Dores. Com o tempo, a dor passou e eu fiquei encantado com Ela. A partir daí, a Senhora das Dores, passou a ter mais um "fã"!

Com o tempo, já grande, desde que comecei a pensar como homem e a fazer parte das guerras deste mundo, continuei a caminhar ao lado das "vidas" dos santos da minha meninice mas, espero que eles não me levem a mal, comecei a olhar os homens que administram as suas "maisons" e dão ajuda à sua permanência entre nós - os padres - como utilizadores dessa permanência, para mim, semelhante a um comércio!

Estou-me a lembrar de um telefonema que, uma noite destas recebi de Paris, de alguém de Adrão que terá ficado muito sentida com o Padre de Soajo por não atender à querença de mais alguém de Adrão que gostaria de casar no Senhor da Paz. E não, e não, e não! Esse casal, não conseguiu ter o prazer de casar na igreja que pretendia mas, conseguiu arranjar maneira de consagrar o seu matrimónio no local da alternativa - a Senhora da Peneda. Mas também o Padre da Peneda, contrariado ou não, não sei, perante umas crianças que se perfilaram para a tomada dos sacramentos que a ele compete administrar, anteriormente, fez uma pergunta sem nexo do tipo "que querem vocês daqui"? Coisas que caem mal no seio do povo.



"La Maison" do Senhor da Paz, fotografada da estrada, à saída da Chãe do Ruivo, no dia que levei o meu Quico, para ficar em Paz, nas nossas Montanhas Lindas, em 24 de Setembro de 2009

São atitudes destas, que levam as crianças a crescer, tornarem-se gente e a repensar a sua caminhada, nos trilhos dos Padres. Gostava de saber qual a razão que leva o Padre de Soajo, por teimosia ou birrisse, a não casar a gente de Adrão, que o pretenda, na sua Igreja do Senhor da Paz! Eu sei que isto não é um acontecimento apenas do padre de Soajo, mas de muitos padres por este país fora.

Recordo-me da minha companheira de caminhadas, pretender casar-se comigo, pela Igreja e, de gostar que esse acto, se realiza-se na capelinha do Palácio de Queluz. Numa visita que tinha lá feito, gostou e passou a sonhar com essa futura caminhada da sua vida. Pediu-me se não me importava e eu disse-lhe que tudo seria feito a seu gosto. Com Igreja ou sem Igreja, com capela ou sem capela!

Foi tratar disso e alguém lhe disse que o Padre de Queluz, não casava ninguém lá e que, quando antigamente o fazia, um dos noivos teria de ser residente na Freguesia de Queluz.

Ela foi falar com o Padre e, com a sua retórica e o seu ar de anjo, tinha-o quase convencido mas ele, perguntou logo qual de nós vivia em Queluz. Ela disse logo que era eu e ficou encravada com isso. "E agora"?

Perante aquele querer forte que ela tinha, nada me restava que não fosse: «agora eu vou viver para Queluz»! Assim, "vivi" na casa dos pais de uma colega dela, em Queluz, uma casa, onde nunca entrei e só passei a saber o nome da rua e o número da porta. Escusado será dizer que já esqueci.

Há dias, comecei a ler um livro sobre Amaro da Costa, uma das minhas prendas de Natal. Verifiquei que ele passou sobre o arcabouço do padre de Palmela, que teimou em não o casar na capelinha do Castelo de Palmela, onde ele e a sua noiva pretendiam casar-se. Mas ele, com a ajuda de alguns amigos prepararam a capela e levou um padre de Lisboa, o Padre de S. Sebastião da Pedreira.

Conheci mais casos semelhantes a este de Adrão e, se calhar há outros.

Ora, tudo isto, só me leva a afastar dos padres! Sejam eles de Soajo, sejam de onde forem.

Depois, quando ouço falar dessa história da Igreja Católica não arranjar padres suficientes para ministrarem, na sua óptica, o Reino de Deus, dá-me apenas, vontade de rir!




Aquela que foi a nossa Escola do Senhor da Paz, fotografada da estrada, à saída da Chãe do Ruivo, no dia que levei o meu Quico, para ficar em Paz, nas nossas Montanhas Lindas, em 24 de Setembro de 2009

Eu não preciso que os Padres me ministrem o Reino de Deus, porque eu, desde que nasci, faço parte desse Reino! Eu caminho nos trilhos do Senhor da Esfera e Ele olha-me sempre a seu lado. Não preciso dos Padres para nada, mais ainda quando por portas e travessas, me apercebo que a água benta que baptizou alguns, lhes levou à cabeça, o vírus da teimosia.

Uma Nota para quem lê: «Tenho escrito a palavra Açoreira, sempre com dois "ss" e um "u" (Assureira). A partir de hoje, vou escrevê-la sempre com um "ç" e um "o", porque foi assim que a vi escrita uma vez num mapa, bem como a "Assureira" de Castro Laboreiro. Tinha pegado na primeira, em desacordo comigo mesmo, por recordar-me do meu pai me dizer que a Açoreira era uma terra de açores, a bela ave de rapina que ainda esvoaça por alguns sítios do nosso país. E tem toda a lógica. Não sei porque terá de ser com dois "ss" e um "u".

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Senhora da Peneda

Os anos rolam e a Senhora da Peneda, lá está, debaixo das rochas da Meadinha.

Normalmente, quando por lá apareço, não é em dias de festa. Sim, porque as festas já acabaram!

Mas eu sei que, se as festas acabaram para mim, elas nunca irão acabar para a Senhora da Peneda.


Um pratinho com a Senhora da Peneda que alguém teve a amabilidade de me oferecer

Segundo a mente de cada um, ela vai velando por uns e por outros, à sua maneira e à maneira deles. Quando eu era miúdo, à moda da terra, disputava os santos todos que conhecia. Todos eles, segundo a tradição, poderiam dar a sua pequena ou grande ajuda.

Normalmente, eu nada pedia para mim mas, sempre que convinha, lá estava aqui o vosso amigo a pedir a intervenção de algum dos seus amigos. Ás vezes era o Senhor da Paz, sempre que ouvia falar de guerras, como na invasão da Hungria, em 1956, saí da minha escola e, espreitando-O, por uma janela ou pela porta, talvez influenciado pela linguagem dos mais velhos, fui-lhe pedir para ajudar os húngaros.

Outras vezes, para ajudarem que os lobos não matassem alguma das minhas vacas ou algum dos vitelos quando os havia, eu pedia a algum deles para os guardar. Normalmente, a Senhora da Peneda, olharia pelas minhas montanhas lindas e pelos seus gados e, se não pudesse, lá estaria o Santo António para a ajudar. Santo António era homem, era forte e lá estaria para palmilhar as montanhas, tal como faria o Ventor, com melhor pedalada que a que a Senhora da Peneda, mulher, seria capaz de aplicar. Nos meus pensamentos de criança eles todos estariam arrigementados ao cumprimento de alguma tarefa que pudesse agradar às suas gentes.

Na verdade, não sendo um religioso por aí além, continuo sempre com os meus amigos de outrora. Eles não me pesam e não me fazem mal e, por essas e outras razões, podem muito bem continuar a caminhar a meu lado e eu a lado deles. Não é por acaso que desde o dia 1 de Setembro eu continuo a pensar na Meadinha, na Senhora da Peneda e nas minhas Montanhas Lindas.

A Senhora da Peneda é uma beleza presente nas minhas Montanhas Lindas

São oito dias de devoção para muita gente, de devoção e de festa para outros tantos e de grande festa para a grande maioria. Não haverá os fogos festivos de antigamente, como será óbvio mas, provavelmente, continuarão a haver os bailes, as concertinas, os bombos, as gaitas, os cantares e sei lá que mais.

Por isso, eu continuo, aqui da minha janela, a homenagear a Senhpra da Peneda e todos aqueles que, por qualquer razão marcam presença nos belos festejos. Eu sei que Ela continua a espreitar-me e a dizer-me: "olá Ventor"!

E eu continuo, aqui, de olho na Sua Romaria, de 1 a 8 de Setembro!