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sábado, 6 de setembro de 2008

A Romaria da Senhora da Peneda

Todos os anos, de 1 a 8 de Setembro, lá vão os romeiros a caminho da Senhora da Peneda, rumo à serra com o mesmo nome. Mas, pensando em termos de passado, os romeiros nunca mais voltam!

Eles não voltarão a passar em Adrão, em Tibo e no Baleiral, alegrando as gentes com os seus cantares, com as músicas das suas concertinas, das suas pandeiretas, dos seus ferrinhos, das caixas e dos tambores.

Nos meus tempos de criança, eu corria para a janela para ver aquela gente alegre caminhar por baixo, na nossa "grande avenida", de Adrão, a cantar e a dançar rumo à Santa da sua devoção. Eu perguntava a mim mesmo porquê? O que levava aquela gente a correr por trilhos pedregosos, rumo aos granitos da Meadinha?


Nas rochas da Meadinha, onde foi parar a bengalinha que a Senhora da Peneda, disse às irmãs, que iria para onde a Sua bengala caísse. A Bengala caíu junto à Meadinha e as irmãs tentaram dissuadi-la de permanecer naquele local, mas Ela, tal como o Ventor, achou-o maravilhoso!

Os anos passaram e eu percebi porquê! Eu fui crescendo e comecei a subir, cada vez mais alto, as minhas montanhas lindas, a chegar ao alto da Portela e a espreitar, também, cá de longe, a Senhora da Peneda. Lá, naquela garganta rochosa, incrustada à esquerda de quem sobe o vale, rumo a Lamas de Mouro, lá está o campanário, a casa da mais bela Santa das mais belas montanhas deste Portugal.


Senhora da Peneda

Ela quis ficar ali, no seu berço de granito, para nos dizer que a rudeza se torna bela quando o homem quer. Hoje não estou na Peneda, nem estou em Adrão e, mesmo que estivesse, mesmo que me aproxima-se da minha janela, não veria um romeiro passar, não ouviria uma pandeireta, não tocaria uma única concertina, rumo à Peneda. Não veria os cabazes das merendas, sobre cabeças hérculeas, assentes sobre rodilhas coloridas, nem os lenços coloridos aos ombros das belas mulheres que se dirigiam à Romaria da Peneda. Os homens carregados de foguetes (contados às dúzias) para pagarem as promessas feitas por  devoção à sua (nossa) querida Santa, já náo podem fazer tais promessas!


Cá está a sua bela "casa", por baixo da rocha da Meadinha

O ribombar dos petardos não se ouvem porque é proibido deitar foguetes. Também não teria interesse, pois, em Adrão, já não há rapazes para irem apanhar as canas à Portela! Antigamente, rebentavam milhares de petardos, nas alturas, e nunca houve um incêndio, hoje não rebenta um petardo a glorificar a Senhora da Peneda mas arde tudo! Porque, antigamente, as minhas montanhas lindas eram limpas pela pouca riqueza que havia por lá. Os gados comiam, rapavam tudo! Hoje rapam-nos a nós! Já nem dá prazer olharmos, observarmos ou regozijarmo-nos com as belezas que outrora, havia pelas minhas montanhas lindas. Hoje, por lá, só podemos observar duas coisas: matagais sem fim, que nos escondem tudo ou áreas carbonizadas donde tudo desapareceu.

Em 50 anos tudo se transformou! Nesse aspecto, para pior!


Subir as suas escadarias é um prazer para os apreciadores de tudo que se relacione com a vontade do Senhor da Esfera

Continuarão, certamente, a haver muitos romeiros na Peneda! Eles chegam de todos os lados, do Norte de Portugal e da Galiza, de outros mundos, e a Senhora da Peneda lá estará para receber todos, que chegam de carros de todas as cores e formas, de camionetas e, também haverão alguns, provavelmente, apeados por ali perto, sem vontade de cantar ou sem vontade de dançar, que chegarão caminhando a pé para as suas novenas, para chorarem de tristeza ou de alegria.

Vamos lá gente. Cheguem-se à Senhora da Peneda, da maneira que puderem. Eu não posso lá estar, nem para cantar, nem para rezar, mas estou aqui, lembrando o passado, sonhando com o futuro da Senhora da Peneda e o meu e, dizendo-Lhe a Ela que estou um pouco longe, mas sempre presente!

Não podia deixar de vos presentear com uma das belezas que nos dão as boas-vindas

Este ano, a força da festa da Romaria, calha num fim de semana e amanhã, domingo, no seu apogeu, sairão daquele pedeaço das minhas belas montanhas, carros em todas as direcções, para levarem as novidades da bela romaria àqueles que não puderam estar presentes.

Mas a Senhora da Peneda sabe porque eu não estou presente em corpo e sabe, também, porque eu estou sempre presente em espírito!

5 comentários:

  1. HELLO MY FRIEND !!!
    Adorei ler as tuas memórias....adorei ler todas as passagens relatadas por ti...e sabes? Mesmo nunca tendo estado nestas paragens, senti viver tudo na pimeira pessoa. Ao som das tuas palavras, eu podia ver o movimento de todos os participantes, o colorido daquelas paragens, os bailados, os cantares, os foguetes, a festa, os animais, os carros floridos, os rapazes e raparigas enamorados com as suas gargalhadas contagiantes...enfim...uma tela gigantesca, que o meu espírito por momentos te roubou, onde o filme das tuas memórias de criança se projectava com um misto de sentimentos. Um abraço. Blumen.

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  2. Bem visto, amigo. Não é nada como outrora mas o local tem magia, como tudo que o rodeia. Ainda sinto o gosto da minha romagem em Agosto. E hei-de repetir. Se Ela me permitir.
    Um abraço

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  3. Bonita Romaria, estive presente mais um ano.

    Logo que possa vou publicar fotos e vídeos da festa.

    Abraço

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  4. A Senhora da Peneda faz parte do meu imaginário, tantas foram as vezes que me desloquei de Paredes de Coura até aquela serrania, que lhe perdi o conto. Uma monumental paisagem e monumental obra arquitectónica em perfeita e total harmonia, Homem e Natureza de braço dado à porta do Paraíso. Uma delícia ver tudo isto, aqui, neste sobretodos delicioso blogue. Boa semana com tudo de bom.

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  5. Venho, de novo, em romagem de saudade à Senhora da Peneda, lugar e santuário que muitas vezes visitei em décadas passadas. Um abraço de boa semana.

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