Rojões na serra de Spajo

Rojões na serra de Soajo

Vejam estes golosos a comer rojões assados na serra mais linda do mundo - a serra de Soajo Assar rojões na serra de Soajo, nos braseiros dos...

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quinta-feira, 15 de abril de 2010

Branda da Aveleira

Caminhar em redor das minhas Montanhas Lindas, pela base ou pelas meias encostas, colocar a mão a servir de pala e espreitar os horizontes que nos rodeiam, é já um desopilante, um acumulador de novas vitalidades.

Acredito que, aqueles que vêm de outros mundos, quer nosso, quer mesmo da estranja, se contentam em observar os cabeços dos montes e as rasgadas paisagens que nos alegram a alma, apenas, em duas ou três olhadas.

Mas eu sei, pelo que me dizem, que os turistas que acompanham os programas turísticos do Fabrice na sua "atitude" para com as Montanhas Lindas de seu pai, minhas e certamente, dele também - vejam Outside Atitude - os turistas já não se contentam apenas a dar olhadas.

Eles querem observar, de pé no chão, todas as maravilhas dos locais por onde passam.



Garranos, belezas nas minhas Montanhas Lindas

Quem não se atreve a colocar a "pata" no chão ou, se preferirem, o seu "par de botas", para respirarem perfumes inesquecíveis e partilharem da vida dos utentes das minhas Montanhas Lindas, nunca chegarão a conhecer a verdadeira essência daquilo que os rodeia.

É necessário saber partilhar da existência dos fabulosos companheiros das nossas caminhadas, pelas minhas Montanhas Lindas e, acredito que, vossas também.

Caminhar entre as moitas de urzes, as carquejas, os fetos, os poulos relvados;

caminhar, subindo e descendo as encostas dos montes, deparando a cada instante, com paisagens, em constante mutação.

caminhar, transpirando, e saber apreciar as águas gostosas e frescas que brotam das entranhas da serra;

caminhar por locais onde ainda é provável que lobos se refugiem por ali, da nossa, para eles, nefasta presença e, apenas sabermos da possibilidade de se encontrarem por ali, devido aos dejectos por eles deixados, em alguns dos nossos pecursos;

caminhar entre belos gafanhotos, escaravelhos, lagartixas, lagartos (grandes sardões), cobras, libelinhas, borboletas, coelhos, perdizes, formigas, aranhas e muitos outros, como abelhas, vespas, vespinhas e vespões, caminhamos, sem sombra de dúvidas, num belo pedaço do Paraíso.



Garranos, belezas nas minhas Montanhas Lindas, junto à Branda da Aveleira

Sair fora do carro, partilhar dos espaços dos garranos, das vacas, das ovelhas, das cabras, sentir a frescura da aragem matinal coçar-nos o nariz, são, certamente, para todos que caminham pelas minhas Montanhas Lindas, momentos inesquecíveis.

Caminhar pela Branda da Aveleira, por St. António de Vale de Poldros, observar toda aquela beleza, onde nos inserimos, por momentos, porque não por uns dias e para nunca mais esquecermos?

Ver e ouvir o correr das águas do seu riacho que, tropeçando de pedra em pedra se dirigem, em toda a sua plenitude, rumo ao belíssimo vale do Vez e sem nunca esquecerem de voltar, na primeira oportunidade que possam ser sopradas pelas fadas de Eolo, e se voltarem a transformar nas grandes lágrimas das fadas de Neptuno, voltando assim, a ter oportunidade, de caminharem, elas também, mais uma ou várias vezes, pelas mesmas gargantas, desfiladeiros e vales dos seus sonhos.

Por lá voltarão a refrescar as margens onde esvoaçam libelinhas, tira-olhos, cantam as rãs e se aquecem cobras e lagartos, tornando uma realidade tão bela que, aposto, nunca esquecerão.                              

                                                       

O riacho, rumo ao vale do Vez, na Branda da Aveleira

Olhar de St. Atonio de Vale de Poldros, as encostas que escorregam desde a Pedrada, descendo com mais ânimo desde a Seida, leva-nos a compreender que, o Paraíso, só não vai continuar aqui, neste nosso cantinho do Planeta Azul, se nós não quisermos.

Por isso, deixo aqui uma palavra de conforto e votos de prosperidade, a todos aqueles que não se esquecendo, das minhas Montanhas Lindas, procuram também, mostrá-las a outros.


Uma libelinha azul, no riacho da Branda da Aveleira

Ao Fabrice, filho de Adrão e da França e ao Pedro Alarcão e à Anabela Amendoeira, da Ecotura, os votos de que, as nossaas Montanhas Lindas continuem a ser, para vós, um esteio de felicidade no vosso caminhar. Eu não vos conheço pessoalmente mas, quem sabe, talvez um dia isso se concretize!

Para aqueles que viram o programa do Pedro Alarcão e da Anabela Amendoeira na sua pesquisa sobre os lobos em redor da Branda da Aveleira, eu recordo, estes dois que foram conquistados pelas minhas Montanhas Lindas.



Garranos, junto da Branda da Aveleira, que nos podem levar e trazer, nas nossas caminhadas pelas minhas Montanhas Lindas

E para os que não viram o programa, eles provaram-nos que os lobos, tal como outros animais, lutam intensamente para sobreviverem à pressão humana que se faz sentir em redor de todos os seus habitats.

Deixo-vos aqui um abraço e votos de êxito nas vossas caminhadas, bem como desejo um grande êxito na sobrevivência dos lobos.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Montes da Branda da Aveleira

Caminhando pela estrada, nos montes da Branda da Aveleira, deparamo-nos com grupos de cavalos e de vacas que, normalmente, logo que o meu amigo Apolo começa a subir os graus, se começam a esconder do calor e das moscas, entre os fetos altos, as urzes, as árvores e todo o matagal existente por ali.



O berro desta cria, solitária, perdida nos montes da Branda da Aveleira, chamou-nos a sua atenção para todo o espaço que a envolvia

A vida dos animais é semelhante à nossa. Eles interagem, uns com os outros, tal como nós!

Eu sei o que é andar perdido. Aprendi em África!

Mas, quando era pequeno, nas minhas Montanhas Lindas, o nevoeiro era um dos factores que impunham grande acuidade para tomarmos a direcção certa.

Mas, quando se nasce numa zona de montanhas, começamos, ainda de cueiros, a termos de conquistar, palmo a palmo, todo o espaço que nos envolve. O mesmo deverá acontecer com os animais!



Ela subia runo ao seu horizonte onde via vultos de animais onde lhe parecia vir a encontrar a sua mãe

Nas caminhadas que faço pelas minhas montanhas é, quase normal, encontrar crias que, ainda mamam, perdidas das mães. Isso aconteceu em Setembro de 2001, Julho de 2006 e agora, em Julho de 2009.

Em 2001, eu e o meu primo João, encontramos um bezerro perdido em terra de lobos. O seu cão, o Garoto, um serra da Estrela, ainda  muito jovem, que até parecia ter sido ensinado, foi a correr até ele e deu-lhe uma batida, só o largando junto da mãe, bem longe.



Com um olhar de soslaio na nossa direcção, ela terá pensado que não estaria assim tão só pois já estava a ver os carros passarem na estrada e os carros levam gente e a gente até, se calhar, podem ser os donos da sua mãe e seus

Em Julho de 2006, nos montes frente à Branda da Aveleira, encontramos uma bezerra, toda desvairada, perdida, à procura da mãe e a tentar procurar protecção entre os garranos. Ao verificar que aquele não era o seu mundo, lá foi a berrar ao encontro da mãe.


Mas ela galga espaços e aproxima-se dos garranos no alto do monte

Este ano, encontramos outra bezerra, completamente desaustinada, cabeça no ar, a berrar pela mãe. Ela investigava todo o espaço à sua volta, tentando encontrá-la. Seguiu monte acima até junto dos garranos, os vultos vivos que via no topo do monte e, verificando que a mãe não estava, por ali, voltou à esquerda e lá foi prosseguindo viagem, sempre a berrar.



Agora, chegada junto deles, verifica que os da sua espécie não andam por ali e, cheia de tristeza, decide não parar

Lá para a esquerda dos garranos haviam umas vacas, entre os fetos e as urzes e também entre as árvores e, por lá, poderia estar a sua mãe.

Mas mete dó observar um animal tão pequeno, perdido e sem protecção.

Nos meus tempos de puto, quando isso acontecia, era costume levarmos a cria até junto de outras vacas onde voltaria a ser protegida e procurar uma mãe aflita à procura da sua cria e levá-las até junto uma da outra. A partir daí, para uma e para outra, o mundo voltava a carrilar nos seus eixos, transportando todas as belezas que, por momentos, tinham sido perdidas.



Já mais próxima dos garranos, está determinada a prosseguir a sua caminhada e resolve ir para a sua esquerda e, retomar por cima, a direcção que tinha trazido

De todas as vezes que encontro uma cria perdida da mãe, recordo o pintor Luis Durdil, quando junto à Brasileira do Chiado, enquanto conversávamos, passou uma criança a chorar. Ele levantou-se como catapultado por uma mola e ficou lívido a olhar a criança que, realmente, parecia perdida mas, afinal, apenas estava chateada com a mãe que não lhe comprara o que ele pretendia.



Mas ela persiste em não deixar espaços de incerteza, entre os garranos e, continua a observar tudo por ali e sempre a berrar, se calhar, o nome da sua mãe ou, pelo menos, a palavra mãe

De seguida, o mestre Durdil contou-me a sua história de se ter perdido de seus pais, ainda pequenito, quando passeavam, pelo Chiado, então, ainda um local estranho, para si. Ele disse-me que se sentira tão mal, que chegou a convencer-se que o mundo acabara, para ele, nesse dia.



E lá vai ela, passo estugado e a gritar, ouvindo-se bem longe. Será que a mãe a ouviria tal como nós?

Ela deixou os garranos para trás e, destemida, continua viagem. Eu acho que aquela beleza das minhas Montanhas Lindas, já se apercebera que parar seria morrer e, se tinha perdido a mãe para aqueles lados era para aqueles lados que devia continuar a sua caminhada

O Durdil, que tinha uma exposição de quadros na, então, Galeria da Livraria Bertrand, do Chiado, disse-me, então, que, só, no meio da multidão, sem ninguém que lhe valesse, terá sido, nesse dia, a pior coisa que lhe aconteceu na vida.

Por isso, sempre que vejo um animal tão pequeno, perdido em montes de lobos, me recordo desse pintor.




Agora, determinada, ela prossegue no estradão, terreno ideal para os lobos perseguirem vitelos em correria

Mas é sempre uma beleza caminhar pelas minhas Montanhas Lindas e ver estes animais viver a sua vida de montanha mas é também uma tristeza encontrar um animalzinho tão frágil, a caminhar perdido, entre as flores rosas das ericas (carrascas), gritando ao Senhor da Esfera, pedindo protecção, tal como nós fazemos.

Mas ela lá vai na direcção certa, se não na direcção da sua mãe, pelo menos na direcção dos da sua espécie e já não ficará só. Continuando a berrar, mesmo que o Senhor da Esfera não a ouça, a sua mãe ouvirá, certamente