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quinta-feira, 28 de setembro de 2006

Adrão, o Eirado

Já vos falei de Adrão, o Cabo do Eido, hoje falo-vos do Eirado.

O Eirado é a parte envolvente à capela, no centro da aldeia.


Eis a capela de Adrão. Pequenina, mas é a casinha de nossa Senhora da Conceição. Uma casinha devassada pelas modernices dos alti-falantes ali colocados para dar horas e tocar as Avé Marias (na foto não se vêm porque a capela está em obras e foram tirados). Aposto que alguém apostou, que ia acabar com o sucego da aldeia. Como ultimamente nunca dormi em Adrão, agora nem sei se ainda tocam de noite. Uma violência.

A casa em frente da capela, esta da imagem, faz parte da minha história desde que nasci. É a casa da tia Rosa Martins (minha tia avó) e do ti João Rego. Agora é da minha madrinha e da filha (olá Rosie!). 


Esta, por trás e ao lado da capela, tem a mais os tijolos da porta e a menos a grande latada que ali existia. Apenas restam os postes.



Aqui, neste largo, faziam-se os bailes nos dias de festa, em Adrão. Agora tem a mais o calcetado e o poste de elctricidade. Parece que não havia mais lugar nehum para o colocar!


Por trás da capela ainda  existe este campo de milho e novas casas. Matei saudades a olhar o milho e as couves ...


 ... e, do lado contrário, para lá dos campos e do rio, o Marco d'Além, parte integrante das minhas Montanhas Lindas. Coloco-o aqui, especialmente, porque, ainda criança, foi olhando aquele marco que aprendi a ver as horas. Ele era uma espécie de relógio de ponto. "Tenho de me despachar que já vai o sol ao Marco"! Havia sempre algo que se fazia a correr pois o meu amigo Apolo ia partir e depois só de lanterna.

Dentro deste pátio, onde está a passar o meu amigo Zé, era um curral, onde havia estrume para as cortes e era um dos nossos antros de brincadeira (olá João!).

No cimo desta rua, à esquerda, morava o meu padrinho. Sim que eu também tive um padrinho e teve de fazer três horas a andar para me ir baptizar a Soajo. Mas foi a minha madrinha que me levou de Adrão a Soajo e volta, sem me deixar cair nos fraguedos.

 


No fundo desta foto, lado direito, era a nossa fonte. bebi água dali durante 15 anos e mais tarde também. Agora é imprópria para consumo. Estragam tudo!

Mas dentro do portão, já há alguns anos (a única foto antiga) estão as vacas do meu amigo Sita, que o Senhor da Esfera tem à sua guarda.


À moda antiga, grita-se alto em Adrão, apesar dos telemóveis e a lenha aguarda a sua vez, e será tão rapidamente despachada quanto mais frios forem o Outono e o Inverno.

5 comentários:

  1. Passei para apreciar esta página agradável, que me atrai pela sua qualidade e desejar bom fim-de-semana. Não paro de me surpreender. Até breve.

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  2. É uma linda terra que algumas modernices desfeiam. Por outro lado, o progresso é necessário para o bem estar de quem habita estes lugares. Faz pena mas não poderia ficar tudo sempre como há cem anos atrás, não é? O que poderia era haver um pouco de bom gosto em certas inovações.

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    1. Neste lugar só existe uma casa antiga, reconstruída sem alterações A minha!.........

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  3. Pois é, mas o Parque Nacional da Peneda Gerês, é um barquinho à deriva e tem deixado fazer tudo o que aparentemente é moderno mas, não passa de um amontoado de desarranjos, que ninguém deveria permitir. A minha aldeia é a melhor amostra de como funciona este país! Tal e qual sem tirar nem por. Cada um faz o que lhe dá na real gana!

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  4. Beleza rústica desta região !!!
    Respira-se um ar sadio através destas lindíssimas fotos... estimei sua visita. - Bjo - ConchitaMachado

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